Amizades no ambiente de trabalho podem favorecer a carreira e a saúde mental, dizem especialistas
Vínculos pessoais no escritório podem aumentar a produtividade e o bem-estar, mas especialistas alertam para o risco de favorecimentos.
Por Redação Diário Local
Construir vínculos de amizade no ambiente corporativo pode trazer benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas, segundo especialistas. A criação de relações de confiança favorece a colaboração, torna a comunicação mais fluida e contribui para o desenvolvimento da carreira por meio do networking.
No entanto, o desafio principal reside em impedir que a relação pessoal interfira em decisões profissionais. O equilíbrio é necessário para que a conexão não comprometa a objetividade em processos como avaliações de desempenho, promoções e feedback.
De acordo com Muller Gomes, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, é inevitável que surjam relações que ultrapassem o campo profissional, já que as pessoas passam grande parte do dia no trabalho. Ele destaca que essas amizades fazem parte do chamado 'salário emocional', impactando a satisfação e a retenção de talentos.
Como as amizades afetam o desempenho?
Pesquisas indicam que os vínculos sociais no escritório têm impacto direto na rotina laboral. Um levantamento do Indeed Brasil, realizado com 1.065 trabalhadores em janeiro de 2025, aponta que 57% dos profissionais acreditam que as amizades melhoram a colaboração entre equipes e 52% afirmam que elas tornam o trabalho mais agradável.
Além disso, 50% dos entrevistados afirmam que ter alguém com quem conversar auxilia na redução do estresse, enquanto 45% associam esses laços ao aumento da motivação e da produtividade. O levantamento também revelou que 54% dos trabalhadores brasileiros declararam ter um melhor amigo no ambiente de trabalho.
Dados internacionais reforçam essa tendência. Nos Estados Unidos, um estudo da KPMG com 1.019 trabalhadores mostrou que 87% consideram muito importante ter amigos próximos no ambiente profissional, e 84% afirmam que esses vínculos são essenciais para a saúde mental.
Quais são os riscos do excesso de proximidade?
Apesar dos pontos positivos, a falta de profissionalismo pode surgir quando a amizade se sobrepõe ao critério técnico. Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), alerta que o principal risco acontece quando a relação pessoal influencia decisões de mérito, como a distribuição de tarefas ou promoções.
Sinais como a formação de 'panelinhas' e a dificuldade de tratar todos os colegas com os mesmos critérios são indicadores de que a relação deixou de ser saudável. Lucimara Costa, diretora de Recursos Humanos da Nexti, acrescenta que o limite é ultrapassado quando o profissional deixa de dar um feedback necessário para não magoar um amigo ou quando toma decisões baseadas em afinidade em vez de competência.
Para casos em que amigos ocupam posições de liderança, Rodrigo Vianna ressalta a necessidade de transparência para evitar que a amizade gere percepções de favorecimento dentro da empresa.
O impacto da solidão no escritório
A ausência de conexões significativas também pode gerar consequências negativas. Especialistas chamam de 'solidão corporativa' o isolamento sentido por profissionais que, mesmo em ambientes movimentados, não conseguem criar laços reais. Segundo Marcela Zaidem, fundadora da consultoria Cultura na Prática, o pertencimento depende de fatores como confiança, respeito e segurança psicológica.
A falta de interação pode comprometer a produtividade e o desenvolvimento profissional. Segundo Bruno Gonçalves, a solidão corporativa está associada ao aumento do absenteísmo (ausência frequente ao trabalho), à queda da criatividade e ao enfraquecimento do engajamento dos colaboradores.
Um levantamento da Pluxee com mais de 2 mil brasileiros mostra que 47% dos entrevistados sentem-se sozinhos no trabalho, seja de forma frequente ou ocasional. Em contrapartida, 78% dos participantes consideram essencial ter amizades verdadeiras no ambiente profissional.
