Apex Partners pede prisão de Fernando Cinelli por suspeita de lavagem de dinheiro
Empresa acusa ex-presidente de apropriação indébita e pede bloqueio de R$ 5 milhões; Polícia Federal apura o caso.
Por Redação Diário Local
A Apex Partners solicitou ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) a prisão preventiva de Fernando Cinelli. A empresa acusa o ex-presidente de possíveis crimes de apropriação indébita, uso de recursos da companhia sem autorização e lavagem de dinheiro.
O pedido, que tramita sob sigilo, também solicita a retenção de dois passaportes, a proibição de saída do Brasil, o uso de tornozeleira eletrônica e o impedimento de contato com funcionários, ex-diretores e auditores. A companhia requereu ainda a busca e apreensão de celulares, computadores, documentos e registros bancários, além de um bloqueio criminal de R$ 5 milhões.
A acusação fundamenta-se em uma apuração interna sobre 348 lançamentos financeiros realizados entre janeiro de 2022 e 3 de agosto. Segundo a Apex, empresas do grupo transferiram R$ 33,24 milhões para Cinelli, enquanto ele teria devolvido R$ 5,86 milhões às sociedades, resultando em um saldo de R$ 27,37 milhões.
A companhia afirma que não encontrou contratos ou autorizações que justifiquem R$ 17,23 milhões dessas movimentações. De acordo com a empresa, os valores cresceram de forma acelerada antes do afastamento do ex-presidente. Somente entre janeiro e o início de agosto de 2026, Cinelli teria recebido R$ 18,14 milhões, quase quatro vezes o total registrado em 2025.
A Apex também destacou uma transferência de R$ 900 mil realizada em 23 de julho, menos de duas semanas antes da descoberta das inconsistências. Para justificar a necessidade da prisão, a empresa cita o risco de repetição dos atos e a necessidade de preservar provas, ressaltando que o ex-presidente possui conhecimento profundo sobre a estrutura do grupo, composto por cerca de 180 empresas.
A Justiça já determinou a quebra do sigilo bancário de Cinelli e o bloqueio inicial de R$ 5 milhões. Na peça de acusação, a Apex menciona ainda a elevada capacidade financeira do empresário e sua dupla cidadania brasileira e italiana como elementos a serem considerados no pedido de restrição de liberdade.
Andamento da investigação na Polícia Federal
O MPES encaminhou o caso para o Ministério Público Federal (MPF) no dia 25 de agosto (25). A promotoria de justiça Criminal de Vitória entendeu que o caso seria de competência do MPF no Espírito Santo.
O MPF informou que foi instaurado um inquérito policial na Polícia Federal para apurar suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, previstos na Lei 7.492. Devido ao sigilo processual, o órgão não forneceu detalhes adicionais sobre o andamento das investigações, mas confirmou que o julgamento cabe à Justiça Federal.
