Exportações para os Estados Unidos acumulam queda de 9,7% no ano após novas tarifas de Donald Trump
Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que embarques para a maior economia do mundo recuaram quase 10% até agosto.
Por Redação Diário Local
As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 9,7% no acumulado do ano até agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O recuo reflete o impacto das novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil.
No mês de agosto (05), que foi o primeiro período com a aplicação de uma taxação de 37,5% sobre parte da pauta exportadora brasileira, o volume de embarques para o mercado americano cresceu 12,1% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Em valores nominais, o Brasil enviou US$ 3,190 bilhões para os Estados Unidos em agosto, contra US$ 2,845 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
Contudo, no balanço total de janeiro a agosto, o montante enviado para a maior economia do mundo somou US$ 24,105 bilhões, enquanto no mesmo período do ano anterior o valor foi de US$ 26,705 bilhões.
Por que as tarifas foram aplicadas?
As restrições comerciais foram intensificadas após o governo Trump adotar, no final de julho, duas novas tarifas adicionais sobre as exportações brasileiras. A primeira sobretaxa, de 25%, foi imposta sob a acusação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.
A segunda taxação, no valor de 12,5%, foi aplicada por uma suposta falha do país em barrar a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Esse conjunto de medidas somou-se às tarifas anteriores, que na época chegavam a 50%.
Desempenho das exportações globais
Apesar do impacto nas vendas para os americanos, as exportações brasileiras como um todo cresceram 10,3% no acumulado do ano até agosto, atingindo US$ 250,9 bilhões. O resultado positivo no volume global foi impulsionado pelo aumento dos embarques para outros países.
As importações brasileiras também registraram alta de 6,1% no período, somando US$ 195,5 bilhões. Com isso, o saldo comercial do Brasil permaneceu superavitário em US$ 55,3 bilhões no acumulado do ano.
No mês de agosto (05), o superávit mensal foi de US$ 7,394 bilhões, o que representa um aumento de 23,8% em relação ao oitavo mês de 2025. Esse desempenho foi resultado de US$ 33,2 bilhões em exportações e US$ 25,8 bilhões em compras do exterior.
