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Argentina

Recuo no emprego formal na Argentina ameaça reeleição de Javier Milei

Queda de postos de trabalho no setor privado e crescimento da informalidade marcam cenário econômico sob gestão de Javier Milei

Por Redação Diário Local

O recuo no número de empregos formais na Argentina representa uma das principais ameaças ao plano de reeleição do presidente Javier Milei. Embora a gestão tenha conseguido reduzir a inflação e o déficit fiscal, o mercado de trabalho enfrenta uma crise no segmento de trabalhadores com salários e benefícios garantidos.

Desde o início do governo Milei, o setor privado argentino perdeu 241 mil postos de trabalho formais, o equivalente a 4% do total. Dados oficiais também apontam a eliminação de 73 mil vagas no setor público durante o período.

O cenário de precarização é reforçado por dados do centro de estudos Fundar, que indica que o número de empresas empregadoras no setor privado caiu para 482 mil. Este é o menor patamar registrado desde 2007. Até o momento, apenas a província de Neuquén, beneficiada pelo setor de energia, registrou aumento de empresas durante o governo atual.

Por que o emprego formal está diminuindo?

A queda nos postos com carteira assinada é liderada pelos setores de indústria e construção civil. Em contrapartida, observa-se um crescimento no número de pessoas atuando em atividades informais, como entregas por aplicativos, transporte por plataformas digitais e serviços em restaurantes.

De acordo com o economista do trabalho da Universidade Nacional de San Martín, Matías Maito, o país vive um processo de crescimento sem a geração de empregos de qualidade. Segundo ele, o crescimento observado nos últimos dois anos concentrou-se quase exclusivamente no emprego informal.

As políticas de contenção de gastos, embora tenham ajudado a reduzir os preços, também impactaram o mercado. O corte em obras públicas e o aumento de tarifas de serviços afetaram diretamente a construção civil e a renda disponível das famílias.

O impacto na confiança e na política

A criação de empregos tem se tornado um motor central para a confiança do consumidor. Pablo Goldberg, gestor de mercados emergentes da BlackRock, afirma que o mercado acompanhará de perto esse indicador, dado o seu vínculo direto com o comportamento eleitoral de 2027.

Pesquisas da AtlasIntel indicam que o desemprego já supera a inflação como a principal preocupação econômica dos eleitores argentinos há um ano. Atualmente, a aprovação de Milei está em 37%, valor próximo ao limite inferior de seu mandato.

A taxa de desemprego na economia formal atingiu 7,8%, mas o dado é parcialmente mascarado pelo fato de o mercado informal já representar 44% da força de trabalho do país. Especialistas alertam que a migração para a informalidade é uma necessidade de sobrevivência de diferentes níveis de renda, e não uma escolha estratégica.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.