Empresas brasileiras avaliam com otimismo audiência sobre proposta de tarifas dos Estados Unidos
Participantes do debate promovido pelo USTR acreditam que argumentos sobre a essencialidade de produtos brasileiros podem gerar recuo ou isenções
Por Diário Local
Representantes de associações e empresas brasileiras avaliaram com otimismo as audiências realizadas nos últimos dois dias sobre a proposta dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Os participantes acreditam que conseguiram demonstrar às autoridades norte-americanas como a medida impactaria não apenas o Brasil, mas também a economia e os consumidores dos próprios Estados Unidos.
O debate foi promovido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e seguiu o rito de investigação aberta no âmbito da Seção 301 da lei de comércio norte-americana. A investigação, concluída em junho, sugeriu a aplicação das alíquotas baseando-se na justificativa de equilibrar a balança comercial entre os dois países.
De acordo com os participantes, as sessões tiveram um tom predominantemente técnico, com foco em perguntas e respostas sobre a essencialidade dos produtos brasileiros para a economia dos Estados Unidos e a viabilidade de substituição por produção local.
Por que as empresas brasileiras estão otimistas?
O otimismo surge da percepção de que os argumentos apresentados sobre a dependência da indústria norte-americana em relação a insumos brasileiros podem gerar um recuo ou um aumento nas isenções. Participantes relataram que os representantes do USTR demonstraram preocupação pragmática com o impacto das alíquotas no mercado interno dos Estados Unidos.
Setores como o de aço e o de alimentos foram destaque nas argumentações. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer), Fausto Varela Cançado, afirmou que o posicionamento de importadores americanos, que utilizam o ferro-gusa como matéria-prima, foi determinante para demonstrar o impacto negativo de uma eventual implementação da tarifa.
A diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), Andressa Silva, também ressaltou que o ambiente foi receptivo. Segundo ela, o arroz produzido no Brasil possui perfil de consumo que não é facilmente substituído pela produção americana, o que poderia elevar custos para consumidores nos Estados Unidos, especialmente no nicho atendido pela comunidade latina.
Posicionamento de empresas americanas
A resistência à medida não partiu apenas do lado brasileiro. Empresas sediadas nos Estados Unidos, como Tesla, Coca-Cola, eBay e Nestlé, apresentaram pedidos ao USTR para que produtos brasileiros sejam excluídos da sobretaxa.
A Tesla argumentou, por exemplo, que a indústria americana depende de fornecedores brasileiros para diversos componentes e que novas restrições poderiam reduzir a competitividade dos Estados Unidos. O processo de investigação deve ser finalizado até o dia 15 de julho, e a aplicação efetiva das tarifas depende de aval do presidente Donald Trump.
