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El Niño

El Niño apresenta chance de 63% de atingir nível muito forte e gera alerta econômico

Probabilidade de fenômeno atingir intensidade elevada entre o fim de 2026 e início de 2027 traz riscos para alimentos, energia e seguro rural

Por Diário Local

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma probabilidade de 63% de que o fenômeno El Niño atinja uma intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Se a projeção se confirmar, o evento poderá figurar entre os maiores registrados desde 1950.

O fortalecimento do fenômeno acende alertas para setores estratégicos da economia brasileira, especialmente o agronegócio, o mercado de energia e o setor de seguros. O monitoramento precoce é visto como essencial por gestores para a proteção de contratos, estoques, orçamentos e balanços diante de possíveis variações climáticas severas.

No setor de alimentos, a preocupação reside na alteração dos regimes de chuva e calor, o que impacta diretamente o plantio e a produtividade. Qualquer perturbação relevante em janelas de plantio ou temperatura pode afetar a inflação, as exportações e a renda regional, mesmo com o crescimento da agropecuária registrado pelo IBGE em 2025.

Na energia, o risco manifesta-se por meio de ondas de calor que elevam a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN). Esse cenário pode pressionar a operação do sistema e elevar os custos para o consumidor final. Atualmente, a bandeira amarela da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acrescenta R$ 18,85 por megawatt-hora, enquanto a bandeira vermelha patamar 1 adiciona R$ 44,63.

Embora o El Niño não acione as bandeiras tarifárias sozinho, ele pode compor o cenário que leva ao aumento do despacho térmico e à redução do conforto hidrológico das reservatórios. O fenômeno pode, portanto, encarecer o atendimento e a operação do sistema elétrico nacional.

O mercado de proteção agrícola também enfrenta desafios. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural opera em 2026 com recursos significativamente reduzidos. Após um bloqueio de R$ 461,7 milhões e um cancelamento de R$ 56,3 milhões, a verba disponível caiu para cerca de R$ 473,8 milhões, valor que representa menos da metade do inicialmente previsto.

Quais são as previsões para as regiões brasileiras?

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) sinaliza que, para o terceiro trimestre, deve haver chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no centro-norte do país. Além disso, há uma maior probabilidade de temperaturas acima da média durante o segundo semestre.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reforça que os efeitos variam conforme a região e a estação. No Sul, o risco principal é de excesso de chuva e eventos severos. Já no Norte e em parte do Nordeste, a preocupação recai sobre a irregularidade hídrica, o calor e a pressão sobre os rios e a agricultura.

Como a ciência busca aumentar a precisão das previsões?

Para melhorar a qualidade das decisões, o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) adotou, desde 1º de junho, um método de cálculo mais ajustado. Em vez de focar apenas no aquecimento de uma área específica do Pacífico, o novo método compara o aquecimento da região Niño 3.4 com o restante dos oceanos tropicais.

Essa mudança metodológica é importante porque os mares do planeta estão mais quentes de forma global. O novo índice evita que o calor observado em outros oceanos seja atribuído erroneamente ao El Niño. Embora a metodologia indique que as previsões possam ficar cerca de 0,5 °C abaixo das medições tradicionais, os modelos continuam apontando um evento de forte a muito forte.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.