Auditoria em projetos da Apex Partners busca confirmar separação de recursos e evitar prejuízos a clientes
Empresa utiliza Sociedades de Propósito Específico (SPE) para separar caixa, mas auditoria precisa validar se há recursos suficientes para os projetos.
Por Redação Diário Local
A auditoria em curso na Apex Partners busca confirmar a efetiva separação de recursos nos empreendimentos imobiliários ligados ao grupo para mitigar riscos a compradores e investidores. Embora a companhia utilize a estrutura de Sociedade de Propósito Específico (SPE) para isolar os projetos, a auditoria precisa validar se o caixa de cada obra permanece segregado e se há fundos suficientes para cumprir os cronogramas estabelecidos.
Até o momento, não há evidências públicas de paralisação de obras decorrentes da crise financeira do grupo. Projetos como Showa Nature Living, 4Youniverse, Arti Design Living, Iconic Design Living, Native, Parque Flora, Cyan Ocean Front e Solano mantêm suas execuções ou cronogramas sob comando das empresas responsáveis pela construção e incorporação.
Como funciona a proteção dos projetos?
A maior parte dos empreendimentos funciona com a Apex atuando como investidora ou estruturadora, enquanto as construtoras parceiras administram os recursos e executam o trabalho no canteiro de obras. A constituição de uma SPE é o mecanismo utilizado para tentar blindar o patrimônio do projeto contra dívidas da matriz.
Uma decisão judicial recente reforçou essa separação ao excluir da medida de proteção judicial os fundos de investimento, os patrimônios fiduciários e as SPEs com patrimônio de afetação. Isso significa que os credores da Apex não podem utilizar esses recursos específicos para cobrar dívidas gerais da companhia.
No entanto, o juiz determinou que a empresa identifique quais SPEs contam efetivamente com essa proteção. A existência de uma SPE, por si só, não garante a blindagem; é necessário que o registro do patrimônio e a correta separação do caixa estejam devidamente documentados em cada projeto.
Quais os riscos para os compradores?
Os clientes podem enfrentar atrasos ou prejuízos caso a auditoria identifique desvios de recursos, ausência de segregação patrimonial, insuficiência de caixa ou dependência de novos aportes da Apex. Em casos de falha na entrega, a responsabilidade é definida pelo contrato e pelo memorial de incorporação entre a SPE, a incorporadora e a construtora.
Para os investidores, o cenário é distinto: embora as SPEs possuam patrimônio próprio que não responde pelas dívidas corporativas da Apex, a segregação patrimonial não elimina riscos como queda nas vendas, aumento de custos ou necessidade de capital adicional. A gestora permanece responsável pela seleção dos projetos e controle dos investimentos.
Em nota, a Apex afirmou que todos os projetos do portfólio mantêm a gestão financeira e operacional sob responsabilidade das parceiras e que as obras seguem em ritmo normal. A companhia informou ainda que identificou inconsistências financeiras em apurações internas e adotou medidas para proteger investidores e clientes, incluindo o afastamento de Fernando Antonio Kulnig Cinelli do cargo de presidente.
