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Economia

Banco do Brasil enfrenta alta inadimplência no agro e pode usar seguradora para reforçar capital

Aumento da inadimplência no agronegócio e queda nos lucros pressionam capital do banco, que pode renegociar acordos com a seguradora.

Por Redação Diário Local

O Banco do Brasil enfrenta o desafio de lidar com a alta inadimplência em sua carteira de empréstimos para o agronegócio, o que pode levar a instituição a buscar reforço de capital por meio de sua divisão de seguros, a BB Seguridade.

O setor de agronegócio, que é o principal cliente de crédito do banco, tem registrado dificuldades devido às margens de lucro reduzidas dos agricultores. Esse cenário impactou diretamente o resultado financeiro da instituição, cuja situação de capital passou a ser alvo de atenção de investidores.

De acordo com analistas do Citigroup Inc., existem opções para o reforço do capital antes que o governo precise realizar qualquer injeção de recursos, como a venda de ações da BB Seguridade ou a revisão de acordos de compartilhamento de receita entre a matriz e a holding.

Como pode funcionar o reforço de capital?

A BB Seguridade utiliza a rede de distribuição do Banco do Brasil para vender seus produtos. Os contratos de participação nos lucros que regem essa relação têm vencimento previsto entre os anos de 2031 e 2033, mas há discussões sobre uma possível renegociação antecipada para favorecer o banco.

O diretor-executivo da BB Seguridade, Delano Valentim de Andrade, afirmou, em teleconferência realizada na quarta-feira (4), que o banco lidera as conversas, mas ainda não há um plano de ação ou cronograma definido para essas tratativas.

O movimento ocorre em um momento de pressão sobre os resultados do Banco do Brasil. No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido ajustado da instituição foi de R$ 7,34 bilhões, o que representa uma queda de 34% em relação ao mesmo período de 2025.

Desafios no agronegócio e gestão

O Banco do Brasil é o maior financiador do agronegócio no Brasil, mas o aumento da inadimplência no setor tem colocado em xeque a solvência de parte da carteira. Relatórios do Banco BTG Pactual SA indicam que programas governamentais de alívio de dívida para produtores não tiveram a adesão esperada.

Além da questão do crédito, o mercado monitora possíveis mudanças na diretoria da instituição. A atual diretora-presidente, Tarciana Medeiros, deve ser substituída, o que pode alterar a estratégia de gestão de ativos e capital do banco.

A possibilidade de venda de ativos também é monitorada. Segundo a Moody’s Investors Service, a administração do banco já sinalizou a investidores que não descarta a alienação de ativos para preservar o fôlego financeiro da companhia.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.