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Agronegócio

Orplana defende flexibilidade na jornada de trabalho para produtores de cana

Entidade alerta para escassez de mão de obra e defende automação para mitigar impactos da reforma e novos custos.

Por Redação Diário Local

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) defende a flexibilização da jornada de trabalho no setor sucroenergético para atender às necessidades de safra. A entidade busca garantir que as particularidades do calendário agrícola sejam respeitadas na regulamentação, permitindo maior uso de horas extras para suprir demandas sazonais no campo e nas unidades industriais.

A Orplana, que representa cerca de 12,5 mil produtores e 35 associações, monitora os impactos das mudanças nas escalas de trabalho, como a proposta de dois dias de descanso por semana. A organização alerta que a escassez de mão de obra já afeta diversas cadeias do agronegócio e pode piorar com novas regras de jornada.

Como a tecnologia pode ajudar a suprir a falta de trabalhadores?

Diante da dificuldade de contratação, a entidade aponta a automação e a robotização como alternativas para aumentar a eficiência das operações. A estratégia consiste em transferir atividades físicas e desgastantes para equipamentos autônomos, mantendo os trabalhadores em funções de monitoramento e controle.

Entre as soluções citadas estão tratores com operação autônoma para aragem, gradagem e colheita, além de robôs para aplicação de herbicidas. Um desses equipamentos utiliza câmeras e painéis solares para aplicações direcionadas, com custo de até R$ 350 mil e capacidade para áreas superiores a 100 hectares.

Apesar da disponibilidade tecnológica, a Orplana ressalta que o custo de aquisição e as condições de financiamento ainda limitam o uso dessas máquinas no Brasil.

Por que a rentabilidade dos produtores está sob pressão?

A situação econômica dos fornecedores de cana também é um ponto de atenção. Segundo a Orplana, a rentabilidade da produção está negativa em aproximadamente R$ 3 mil por hectare na safra atual, reflexo do aumento nos gastos com diesel, fertilizantes, lubrificantes e transporte.

O encarecimento do frete também elevou o custo de entrega de insumos como calcário e gesso. Para mitigar os riscos da atividade, a entidade defende o fortalecimento do seguro rural. A organização estima que o orçamento atual de R$ 1 bilhão para subvenção é insuficiente, sendo necessários mais de R$ 3 bilhões para uma cobertura abrangente.

A entidade também acompanha a tributação de bebidas açucaradas pelo Imposto Seletivo. Embora o açúcar integre a cesta básica, bebidas que utilizam o produto podem sofrer nova carga tributária, o que pode levar a indústria a reduzir o açúcar nas fórmulas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.