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Economia

Banco Master vendeu mesma carteira de R$ 1 bilhão duas vezes, aponta securitizadora

Travessia Securitizadora identificou duplicidade em ativos de crédito após comunicação da B3; BRB e BTG podem estar envolvidos.

Por Redação Diário Local

A Travessia Securitizadora identificou que o Banco Master realizou a venda em duplicidade de uma mesma carteira de crédito, avaliada em R$ 1 bilhão. A inconsistência foi reportada pela B3 à securitizadora, que detém a titularidade dos créditos após a emissão de debêntures baseadas nesses ativos.

A irregularidade foi detectada pela Travessia durante uma reunião realizada com o liquidante do Banco Master. A empresa afirmou que o registro da cessão de direitos em seu favor foi efetuado corretamente na Central de Registro de Ativos Financeiros (CERC), unidade do Banco Central onde esse tipo de operação é cadastrada.

Para comprovar a titularidade, a securitizadora apresentou à B3 contratos de cessão, aditamentos, termos de cessão, registros da CERC e relatórios de auditoria independente. Após análise, a B3 encaminhou um parecer conclusivo atestando indícios consistentes de que a mesma carteira de créditos foi cedida duas vezes.

Segundo a Travessia, o registro dos créditos em seu nome junto à CERC ocorreu antes do registro posterior realizado por um terceiro junto ao Banco Central. A operação de debêntures foi realizada por meio de uma oferta restrita a investidores específicos no início de 2024, o que significa que o processo não foi registrado na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Informações indicam que o Banco de Brasília (BRB) e o BTG Pactual podem estar entre as instituições envolvidas. O BRB adquiriu R$ 21 bilhões em ativos do Banco Master entre o final de 2024 e meados de 2025, e a duplicidade pode comprometer o acesso a uma carteira de aproximadamente R$ 1 bilhão que o banco considerava saudável.

Os investidores aportaram o montante de R$ 1 bilhão no dia 2 de fevereiro de 2024 (domingo). A operação foi estruturada por meio de debêntures simples, da espécie quirografária, o que implica que os títulos não possuem garantia real vinculada diretamente ao lastro.

Contexto da operação

A oferta de debêntures em questão foi uma emissão privada, motivo pelo qual os documentos não foram tornados públicos. O valor arrecadado pela Travessia corresponde ao montante total da carteira que teria sido vendida em duplicidade pelo Banco Master.

Até o momento, a situação envolve a análise das documentações apresentadas para validar a prioridade do registro feito pela securitizadora frente ao registro efetuado pela outra instituição interessada na mesma carteira de crédito.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.