Brasil busca novos destinos para carne após restrições da China e União Europeia
Governo tenta diversificar exportações para Japão e Coreia do Sul após novas limitações impostas pela China e pela União Europeia.
Por Redação Diário Local
O governo brasileiro busca acelerar a abertura de novos mercados para as exportações de proteína animal para reduzir a dependência de compradores tradicionais. O movimento visa mitigar os efeitos de novas restrições impostas pela China e pela União Europeia, que podem impactar a indústria nacional nos próximos meses.
A estratégia foca em destinos considerados estratégicos para a diversificação, como Japão, Coreia do Sul e Canadá. A necessidade de novos parceiros ganhou força após a China implementar uma cota de importação para a carne bovina brasileira, prevendo uma tarifa adicional de 55% para volumes que excedam o limite estabelecido.
Segundo o Ministério da Agricultura, a cota para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas e o Brasil já utilizou cerca de 90% do volume autorizado até o momento.
O que muda com as restrições da União Europeia?
A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal para o bloco. Se a decisão for confirmada, a medida entra em vigor na próxima quinta-feira (3).
Caso a suspensão se concretize, o Brasil perde o acesso ao mercado europeu para itens como carne bovina, frango, carne equina, pescado, mel e tripas. O bloco é um destino relevante para produtos de maior valor agregado, especialmente cortes premium de carne bovina.
Como está o processo de abertura de novos mercados?
O Brasil tenta destravar a entrada de carne bovina in natura no Japão há alguns anos. Em março deste ano, o governo japonês realizou uma auditoria no sistema sanitário brasileiro, concentrada na região Sul, e o país aguarda os resultados da avaliação para dar continuidade às tratativas.
Na Coreia do Sul, o processo segue estágio semelhante. Nesta terça-feira (11), o país realizou uma missão sanitária em território brasileiro, etapa que ocorreu pouco tempo após a visita do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, ao Brasil.
Quais os riscos para o consumidor brasileiro?
A combinação de menos acesso ao mercado europeu com as limitações chinesas aumenta a preocupação do setor com a queda na demanda externa. A redução da exportação pode gerar um ajuste na oferta de carne no mercado interno.
Especialistas avaliam que, se houver redução de investimentos e de abates no setor, a pressão sobre as cotações da carne bovina pode resultar no aumento dos preços para o consumidor brasileiro.
