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Justiça

Justiça homologa acordo entre BRB e advogado investigado por uso de laranjas no banco

Acordo prevê devolução de ações ao BRB e encerra processo contra Daniel Leite, apontado em investigação sobre participação societária

Por Redação Diário Local

A Justiça do Distrito Federal homologou um acordo entre o Banco de Brasília (BRB) e o advogado e procurador de São Luís (MA), Daniel de Faria Jerônimo Leite. Pelo ajuste, o advogado se comprometeu a devolver as ações que estavam sob sua titularidade ao BRB e, em contrapartida, será retirado do processo judicial envolvendo o banco.

A decisão foi proferida pelo juiz Paulo Afonso Cavichioli Carmona, da 7ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, na última sexta-feira (31). O magistrado determinou a expedição de ofício à B3 para que a transferência das ações seja efetivada em favor do BRB e julgou extinto o processo em relação ao procurador.

O caso é fruto de uma investigação realizada pela consultoria Kroll, contratada pelo BRB, que apontou Daniel Leite como uma possível "figura instrumental" utilizada para ocultar os reais proprietários de uma participação relevante no quadro societário do banco. Segundo a apuração, a movimentação visava evitar a exposição dos verdadeiros donos.

De acordo com a investigação, o advogado adquiriu do fundo Asterope 8,6 milhões de ações ordinárias e 2 milhões de ações preferenciais do BRB, o que soma R$ 90,5 milhões. O montante teria sido viabilizado por meio de um empréstimo de R$ 93,7 milhões junto à Qista, empresa apontada como integrante do ecossistema do Banco Master.

A investigação também indica que o valor da aquisição seria incompatível com o patrimônio de Leite. O acordo foi assinado em 15 de abril de 2026 e contém uma cláusula de confidencialidade. Em recurso apresentado anteriormente à Justiça, o advogado afirmou não possuir relação com o Banco Master ou com os demais réus.

O BRB move a ação para recuperar as ações e obter ressarcimento por prejuízos causados por um círculo econômico investigado. O processo inclui Daniel Vorcaro, o Banco Master e diversos fundos, como Bandeirante, Asterope FIP, Victoria FIM, entre outros.

O processo tramitava na 13ª Vara Cível de Brasília e foi transferido para a 7ª Vara da Fazenda Pública após o Distrito Federal ingressar no caso. O novo magistrado responsável, Paulo Afonso Cavichioli Carmona, ratificou decisões anteriores que determinavam o bloqueio e o arresto de ações do banco em posse do grupo Master e Reag.

Além de confirmar as medidas cautelares já tomadas, o juiz determinou, nesta sexta-feira (31), o pedido de arresto das Letras Financeiras do Victoria Fundo de Investimento Multimercado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.