Capital estrangeiro entra na B3 em julho, mas eleições e cenário fiscal podem frear fluxo no semestre
Bolsa fechou julho com entrada de R$ 2,55 bilhões, mas incertezas eleitorais e fiscais podem moderar o ritmo de novos investimentos.
Por Redação Diário Local
O capital estrangeiro voltou a entrar na B3 em julho, com um saldo positivo de R$ 2,558 bilhões. O montante interrompeu um período de dois meses de saídas de recursos e elevou o saldo de investimentos externos no ano para R$ 36,406 bilhões, valor 81% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
A entrada de recursos externos contribuiu para a alta de 3,5% do Ibovespa no mês de julho, o primeiro desempenho mensal positivo do índice desde fevereiro. O fundo de índice EWZ, que negocia ativos brasileiros em Nova York, acompanhou a tendência e registrou alta de 6,23%.
Por que o capital estrangeiro entrou na Bolsa?
A retomada de tensões no Oriente Médio e uma mudança na estratégia global de investimentos — com saída de setores de tecnologia para outros mercados — favoreceram o Brasil. O setor de petróleo foi o principal atrativo para os recursos, impactando positivamente as ações da Petrobras e da Prio.
A valorização do petróleo ajuda a reduzir o risco-país devido ao peso da commodity nas exportações brasileiras. Além disso, a Bolsa brasileira apresenta múltiplos considerados baixos, oferecendo exposição a setores que não possuem correlação direta com o tema de inteligência artificial.
No cenário doméstico, o arrefecimento da inflação e a expectativa de novos cortes na taxa Selic também aqueceram o mercado. Na quarta-feira (5), o Banco Central reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 14%.
Quais os riscos para o segundo semestre?
Apesar do saldo positivo em julho, o mercado não projeta a manutenção do forte fluxo registrado até abril, que somou quase R$ 70 bilhões. A cautela dos investidores estrangeiros deve aumentar devido à proximidade das eleições e às incertezas sobre a política fiscal.
A expectativa é que o cenário eleitoral passe a ditar o ritmo dos investimentos, com o mercado avaliando o compromisso dos candidatos com o controle das contas públicas. A possibilidade de medidas de estímulo no período pré-eleitoral pode elevar as preocupações com o déficit público.
Fatores externos, como as tensões geopolíticas e as dinâmicas de emprego e inflação nos Estados Unidos, também mantêm o cenário de investimentos em aberto para o restante do ano.
