BBI aponta ações de utilities favoritas para cenário de maior apetite ao risco
Análise do Bradesco BBI indica empresas sensíveis à queda de juros e outras focadas em previsibilidade de lucros.
Por Redação Diário Local
O setor de empresas de utilities (serviços públicos) deve apresentar um impacto desigual após o primeiro turno das eleições presidenciais, segundo avaliação do Bradesco BBI. A análise indica que o movimento dependerá da disputa entre a possível rotação de investidores para ativos mais arriscados e uma eventual queda nos juros reais de longo prazo.
De acordo com os analistas Francisco Navarrete, João Fagundes e Matheus Caruso, o cenário atual difere dos ciclos eleitorais de 2018 e 2022. Nessas ocasiões anteriores, as carteiras de investimento possuíam menor exposição ao setor de utilities no período imediatamente posterior ao primeiro turno.
Desta vez, a exposição das carteiras ao setor é maior, o que pode limitar a valorização das ações caso os investidores decidam migrar o capital para empresas domésticas mais cíclicas. O comportamento das companhias será influenciado, portanto, pelo apetite ao risco do mercado.
Quais ações se destacam com a queda de juros?
Em um cenário de redução das taxas de juros, cinco empresas se destacam pela maior sensibilidade de seus preços às taxas de longo prazo, característica conhecida como duration. As companhias apontadas são Sabesp, Energisa, Equatorial, Copasa e Auren.
Segundo o levantamento do banco, o preço-alvo dessas empresas pode subir entre 5% e 6% para cada queda de 0,50 ponto percentual nos juros reais de longo prazo. Para o período entre 2026 e 2029, o grupo apresenta uma estimativa de crescimento real de lucro entre 27% e 68%.
Além do crescimento no lucro, o estudo projeta um aumento de 12% a 30% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) para o mesmo período.
O que considerar se os juros não caírem?
Caso os juros não apresentem trajetória de queda, a duration elevada passa a representar um risco para as carteiras. Para esse contexto de estabilidade ou alta das taxas, o banco sugere ISA, Copel e Axia, que combinam menor duration com maior previsibilidade de resultados ou dividendos suficientes para remunerar o investidor.
O relatório também identifica três empresas com maior resiliência frente a diferentes cenários macroeconômicos: Eneva, Sabesp e Copasa. A Eneva é destacada pela previsibilidade das receitas de capacidade contratadas e corrigidas pela inflação.
Sabesp e Copasa possuem como diferencial a regulação baseada na base de ativos regulatórios, o que permite reajustes tarifários anuais e revisões periódicas. Esse modelo oferece maior previsibilidade de crescimento de lucros em comparação ao das distribuidoras de energia pura.
