Importação de carros chineses dobra no Brasil e força redução de preços de modelos novos e usados
Aumento de importações de veículos da China gera reação de montadoras tradicionais com descontos e bônus em modelos novos e seminovos
Por Davy Albuquerque
A importação de automóveis vindos da China praticamente dobrou no Brasil em 2026. Entre janeiro e junho deste ano, foram registrados cerca de 140 mil emplacamentos de veículos do país asiático, com destaque para modelos eletrificados e preços competitivos.
O aumento da oferta de veículos chineses tem gerado um efeito no mercado de automóveis novos e usados no país. Na prática, o consumidor consegue encontrar carros zero-quilômetro ou seminovos por valores inferiores aos cobrados anteriormente, especialmente em modelos acima de R$ 100 mil.
Para enfrentar a concorrência, montadoras tradicionais já adotam estratégias de redução de preços, campanhas de descontos e bônus na troca de automóveis usados para manter a competitividade no segmento de veículos zero-quilômetro.
Como as montadoras estão reagindo?
A Toyota, por exemplo, oferece bônus de R$ 10 mil na troca de um usado na compra de alguns modelos, como o Yaris Cross XR, podendo chegar a R$ 40 mil em veículos como a Hilux Cabine Dupla SRX Plus AT. Segundo a montadora, a medida visa oferecer condições competitivas diante da entrada de novos competidores e das transformações tecnológicas.
Outras empresas também implementaram medidas. A Honda oferece bônus de até R$ 15 mil na troca de um usado. A Volkswagen reduziu o preço do T-Cross em cerca de R$ 10 mil e iniciou o Feirão dos Feirões Volks Vale+.
A Fiat reduziu o valor do Fastback Impetus Turbo de R$ 173.490 para R$ 134.990, além de oferecer bonificações. A Stellantis, que controla as marcas Jeep e Peugeot, informou que as condições especiais fazem parte das celebrações de 50 anos da Fiat no Brasil e que monitora a dinâmica do mercado para manter o posicionamento competitivo.
Impacto no mercado de usados
A redução nos preços dos veículos novos tem gerado uma consequente queda de valores nos modelos seminovos e usados. De acordo com Geraldo Victorazzo, vice-presidente Comercial e de Marketing da Auto Avaliar, o mercado funciona em cadeia: quando a referência do carro usado é o carro novo e este reduz o preço, o usado acompanha a regressão.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontou que foram emplacados 280.600 veículos importados no primeiro semestre de 2026, sendo quase metade proveniente da China. Em apenas um ano, o volume de veículos chineses enviados ao Brasil saltou de 71 mil para 140.800 unidades.
Entre as marcas em destaque, a BYD encerrou o primeiro semestre com 99.029 emplacamentos e atingiu, em junho, a marca de 300 mil carros eletrificados vendidos em quatro anos no país. A GWM registrou 35.218 unidades vendidas entre automóveis e comerciais leves no mesmo período.
