CNI mantém projeção de crescimento do PIB em 2% para 2026 e eleva estimativa da inflação
Entidade revisou para cima as expectativas para indústria e agronegócio, mas elevou previsão da inflação para 5%
Por Redação Diário Local
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2% para 2026. O Informe Conjuntural do 2º trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22), indica que a economia será sustentada pela indústria extrativa, pela agropecuária e pela resiliência do setor de serviços.
A entidade realizou revisões para cima em segmentos como a indústria e o agronegócio, mas elevou a expectativa para a inflação e para a taxa de juros básica (Selic).
O que mudou nas projeções setoriais?
A estimativa para a indústria foi revisada de 1,6% para 2,1%. Esse movimento é puxado pela indústria extrativa, cuja expectativa subiu de 7,8% para 9,1% em função do aumento da produção de petróleo. A indústria de transformação também teve melhora, passando de 0,3% para 0,6%, com destaque para os setores de derivados de petróleo, produtos farmoquímicos, farmacêuticos e automóveis.
No agronegócio, a previsão subiu de 1,1% para 1,8% devido à perspectiva de uma nova safra recorde de soja e ao avanço da produção animal. A construção civil também teve revisão positiva, de 1,3% para 1,5%, apoiada em investimentos em infraestrutura e mudanças no crédito imobiliário.
Já o setor de serviços foi o único grande segmento com revisão para baixo, caindo de 2,1% para 1,9%. A CNI apontou que o consumo pode ser limitado pelo endividamento das famílias, pela inadimplência e pelos juros elevados.
Por que a previsão da inflação e dos juros subiu?
A estimativa para a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 4,4% para 5%. A revisão considera a alta nos preços de combustíveis e alimentos, além da persistência da inflação no setor de serviços.
Em decorrência desse cenário, a CNI passou a projetar a taxa Selic em 13,75% ao fim de 2026, contra os 12,75% estimados no relatório anterior. A entidade avalia que o Banco Central deve realizar apenas mais dois cortes de 0,25 ponto percentual nos juros durante este ano.
Para a entidade, fatores como custos maiores para as empresas, condições financeiras restritivas e o aumento das importações continuam limitando uma recuperação mais intensa da atividade econômica.
