Comprador da Naskar admite transferência de 49 empresas para o nome de avó
Douglas Silva Oliveira confirmou que utiliza o nome da avó para registrar dezenas de empresas enquanto investigações apuram fraude de R$ 900 milhões.
Por Redação Diário Local
O comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda., Douglas Silva Oliveira, de 26 anos, admitiu ter transferido o controle da instituição para o nome de sua avó, Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos. Ao ser questionado por investidores nas redes sociais, o jovem afirmou que realiza o procedimento com todas as empresas que abre ou adquire, alegando possuir 49 empresas registradas dessa forma.
A transferência da Naskar para o nome de Célia de Fátima ocorreu um mês após Douglas anunciar a compra da fintech. Na ocasião, ele declarou que permaneceria como responsável pela controladoria da empresa, mesmo com a mudança na diretoria. Douglas, que reside atualmente em Dubai, tem ostentado viagens internacionais e veículos de luxo em suas redes sociais.
A Naskar é alvo de investigações que apuram um suposto esquema de fraude que teria causado prejuízo superior a R$ 900 milhões a cerca de 3 mil investidores em todo o país. A empresa captava recursos com a promessa de rentabilidade de 2% ao mês, índice acima da média de mercado, e interrompeu o pagamento de rendimentos em maio deste ano.
Prisões e investigações da Polícia Civil
Três ex-sócios da Naskar — Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato — foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na quarta-feira (23), em São Paulo. O trio passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (24) e optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório policial.
Segundo o delegado da Divisão de Falsificações e Defraudações (Difraudes/Corf), Henry Galdino, os investigados tentaram se esconder trocando de endereço diversas vezes nos últimos dois meses. Apesar da dívida bilionária, os ex-sócios residiam em condomínios de luxo em São Paulo, sendo que um deles foi localizado em Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.
Bloqueio de bens e contas
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou, nesta terça-feira (21), o bloqueio de R$ 75 milhões pertencentes a Douglas Silva de Oliveira. A decisão judicial também alcançou contas ligadas à Naskar e a outros envolvidos no grupo, incluindo a avó do comprador e o ex-jogador de vôlei Maurício Volpato.
Entre as empresas e pessoas que tiveram valores bloqueados estão a Nexco Consultoria de Valores Mobiliários, a Family Office Daytona Administração e Participações e a própria Naskar Gestão de Ativos. A medida busca assegurar o ressarcimento dos investidores prejudicados pelo encerramento das atividades da fintech.
A investigação também aponta indícios de confusão patrimonial envolvendo empresas como a 7trust Finance e a Next Holding Financeira. O caso segue sob apuração da PCDF para identificar a extensão do esquema de blindagem de bens utilizado pelos envolvidos.
