Jogos da seleção brasileira na Copa provocaram corte de 50 GWh de energia renovável
Redução no consumo durante partidas da seleção brasileira levou o ONS a restringir a geração solar e eólica para proteger o sistema elétrico
Por Diário Local
As cinco partidas disputadas pela seleção brasileira na Copa do Mundo resultaram no corte de 50,4 GWh de geração de energia solar e eólica. A medida foi tomada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para preservar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) durante o período em que o time esteve em campo.
O montante de energia restringido corresponde a aproximadamente 6 horas da produção média da usina de Itaipu, que registrou uma média de 8,3 GWh por hora em 2025. O fenômeno, conhecido como curtailment, ocorre quando a geração disponível supera o consumo ou quando há limitações operacionais e de transmissão que impedem a absorção de toda a eletricidade pelo sistema.
Segundo o ONS, a restrição é necessária para equilibrar a geração e o consumo em tempo real, evitando o risco de interrupções no fornecimento de energia.
Por que os cortes foram maiores nos jogos diurnos?
O padrão de consumo de eletricidade é alterado durante as partidas. Com as atividades comerciais sendo encerradas mais cedo e o ritmo de consumo reduzido, ocorre uma redução na carga elétrica. O uso de energia passa a se concentrar em locais específicos, como bares, saindo do modelo de consumo individual habitual.
Essa queda na demanda amplia o excedente de energia no sistema, especialmente quando coincide com períodos de alta produção de fontes solares e eólicas. Por essa razão, os cortes foram mais intensos nos confrontos realizados durante o dia.
A partida contra a Noruega, disputada no domingo (5), representou 22,8 GWh de restrições, o que equivale a 45,3% de todo o volume cortado na campanha brasileira. O jogo contra o Japão, realizado em uma segunda-feira à tarde, somou 15,1 GWh de cortes.
Ao todo, os dois confrontos concentraram 37,9 GWh, ou 75,2% do total registrado. Os jogos contra a Escócia e o Haiti registraram cortes de 7,4 GWh e 5 GWh, respectivamente. A única partida sem restrições de fontes renováveis durante o período analisado foi a estreia contra o Marrocos.
Como funciona a restrição de fontes renováveis?
O ONS busca reduzir primeiro a geração de outras fontes antes de limitar a solar e a eólica. No entanto, existem limites técnicos, como a necessidade de manter certas termelétricas ligadas por segurança ou contratos, e o controle de vazões em hidrelétricas.
Enquanto hidrelétricas podem preservar água e termelétricas podem economizar combustível, o vento e a radiação solar não podem ser armazenados sem o uso de baterias. Assim, quando há excedente de energia e as outras fontes já atingiram seus níveis mínimos operacionais, o operador passa a limitar as usinas solares e eólicas centralizadas.
Para o consumidor final, o processo não gera falta de eletricidade, pois o suprimento é mantido por outras fontes ou agentes. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) discute os critérios para o ressarcimento dos geradores afetados por esses cortes.
