Agro enfrenta custo de dívida superior ao varejo e saúde, aponta levantamento
Empresas do agronegócio pagam, em média, CDI mais 4,7%, acima de setores como varejo e saneamento, diz estudo da Condere.
Por Redação Diário Local
O custo para a captação de dívidas no setor do agronegócio segue superior ao de outros segmentos da economia, como o varejo, a saúde e o saneamento, revela um levantamento da Condere. De acordo com o estudo, empresas do agronegócio classificadas como middle market pagam, em mediana, uma taxa de juros de CDI acrescida de 4,7%.
O levantamento mostra que o prêmio de risco exigido para o setor produtivo rural é significativamente mais alto do que o observado em áreas de infraestrutura e consumo. Essa disparidade reflete a dinâmica de crédito atual para o setor de médio porte no campo.
A diferença nos patamares de juros entre o agronegócio e outros setores é influenciada por fatores específicos de mercado. Entre os motivos apontados pelo estudo, destacam-se a percepção de risco setorial e o comportamento recente do setor em relação aos pagamentos.
O histórico de inadimplência no agronegócio atua como um dos principais componentes para a elevação dos custos financeiros. A volatilidade ou os registros de atrasos em compromissos assumidos impactam diretamente o cálculo feito pelas instituições de crédito.
Além disso, a análise da Condere indica que o enquadramento das empresas de middle market exige um prêmio maior para compensar as incertezas do segmento. Enquanto setores como o de saneamento conseguem taxas mais competitivas, o agro enfrenta barreiras de custo mais elevadas.
O cenário exige que as empresas do agronegócio busquem estratégias de gestão de caixa mais rigorosas para suportar o serviço da dívida. O custo elevado pode comprometer a margem de lucro e a capacidade de reinvestimento em tecnologias e expansão.
A comparação entre os segmentos evidencia que o risco percebido pelos credores ainda é um divisor de águas no acesso ao capital. O varejo e a saúde, por exemplo, apresentam condições de financiamento mais favoráveis dentro do mesmo universo de mercado.
O estudo consolida a necessidade de uma análise detalhada sobre a solvência das empresas do agronegócio. A manutenção de taxas elevadas deve permanecer atrelada à capacidade do setor em controlar o índice de inadimplência e transmitir maior segurança ao mercado financeiro.
