Dario Durigan espera retomada da diplomacia com os Estados Unidos após o período eleitoral
Ministro da Fazenda citou eventual tentativa de interferência no Brasil e anunciou novas medidas para proteger empresas afetadas por tarifas.
Por Redação Diário Local
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (19) que o Brasil espera retomar o curso normal da diplomacia com os Estados Unidos após o período eleitoral de 2026. Durante declaração a jornalistas no Ministério da Fazenda, o ministro mencionou a possibilidade de uma "eventual tentativa de interferência" no país devido à proximidade do pleito.
As declarações de Durigan ocorreram enquanto ele comentava o cenário das negociações bilaterais entre os dois países. O foco central das conversas envolve as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, o que tem gerado movimentações diplomáticas e comerciais.
Segundo o ministro, o governo brasileiro pretende continuar negociando com os Estados Unidos e adotará medidas para oferecer fôlego às empresas nacionais que foram impactadas pelas novas taxas. Ele destacou que empresários afetados pelas sobretaxas têm demonstrado "gratidão e esperança" em relação às ações do governo.
Entre as estratégias planejadas, Durigan citou a elaboração de uma nova versão do programa Brasil Soberano. O programa é composto por um conjunto de medidas de crédito que visa proteger as companhias nacionais contra sobretaxas aplicadas por outros países.
O ministro também informou que deve haver uma extensão do regime de drawback para alguns setores específicos da economia. O drawback é um regime aduaneiro especial que funciona como um incentivo fiscal para baratear o custo de matérias-primas, desde que o produto final seja destinado à exportação.
Aplicação da Lei da Reciprocidade
Questionado sobre a Lei da Reciprocidade, Durigan afirmou que a utilização dessa ferramenta não deve prejudicar as negociações em curso. Ele ressaltou que o governo pretende aplicar a medida com cautela, buscando ouvir previamente os setores que serão atingidos.
A postura busca equilibrar a defesa dos interesses do mercado interno com a manutenção do diálogo diplomático com Washington. A expectativa do Ministério da Fazenda é que, vencido o período das eleições, as relações bilaterais sigam o fluxo habitual.
O cenário de tarifas impostas pelos Estados Unidos permanece como um ponto de atenção para o comércio exterior brasileiro. O governo agora foca em manter a competitividade das empresas nacionais por meio de instrumentos de crédito e incentivos fiscais.
