Fundador da Reag afirma que fundos foram usados para ocultar propinas de Daniel Vorcaro
João Carlos Mansur afirmou em delação que fundos da Reag serviram para ocultar pagamentos de Daniel Vorcaro a autoridades.
Por Redação Diário Local
O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, afirmou em delação premiada firmada com a Procuradoria Geral da República (PGR) que fundos administrados pela gestora foram utilizados para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas.
A colaboração detalha a participação da Reag e de fundos de investimento em operações que teriam servido para movimentar recursos e identificar pessoas que atuariam como laranjas de Vorcaro. O acordo também fornece informações sobre o envio de valores para o exterior.
Com os novos dados, investigadores estudam a possibilidade de recuperar valores que estão em contas offshores fora do Brasil. A colaboração de Mansur pode facilitar a devolução do dinheiro ao país, sem a necessidade de alguns dos acordos com autoridades estrangeiras que costumam ser exigidos em processos de recuperação de ativos.
Como funciona o acordo de colaboração?
João Carlos Mansur apresentou a proposta de colaboração à PGR em agosto. O documento aborda ao menos 17 temas, tendo as atividades de Daniel Vorcaro como foco principal. A PGR assinou o acordo em 2 de setembro e o encaminhou para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, que precisa homologar o acordo para que ele tenha validade jurídica. Como parte da negociação, Mansur assumiu o compromisso de pagar uma multa de R$ 40 milhões.
A Polícia Federal participou do início das negociações, embora não tenha seguido nas tratativas posteriores. Esta é a primeira delação firmada pela PGR dentro da operação Compliance Zero.
Investigações e irregularidades identificadas
As investigações apontam que fundos administrados pela Reag teriam sido usados por Vorcaro para retirar recursos do Banco Master e direcioná-los ao seu patrimônio pessoal ou para o pagamento de propinas. O Banco Central já havia identificado operações irregulares entre o banco e fundos da Reag Trust entre julho de 2023 e julho de 2024.
A defesa de Vorcaro informou que não possui acesso aos anexos da colaboração e, por esse motivo, não pôde se manifestar sobre os termos apresentados. Até o momento, a defesa de Mansur não realizou comentários sobre o caso.
