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Política

Politização do STF gera crise institucional e fragmentação de poder, afirma analista

Cientista político Lucas de Aragão avalia que a falta de limites entre os Poderes e a atuação política do Judiciário prejudicam o consenso no país.

Por Redação Diário Local

A crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) é um reflexo direto da politização da Corte, segundo o cientista político Lucas de Aragão. O analista afirma que o Brasil vive um cenário de fragmentação do poder, no qual nenhum dos Três Poderes possui credibilidade ou legitimidade suficiente para liderar um consenso nacional.

De acordo com o sócio da Arko Advice, o problema é estrutural e de longa data. Para Aragão, há uma dificuldade crônica de os Poderes respeitarem as próprias competências, o que ele chama de crise de competência para que cada instituição permaneça em sua esfera de atuação.

O especialista aponta que o país perdeu a capacidade de estabelecer limites institucionais claros. Nesse contexto, o limite das decisões judiciais passou a ser determinado por quem é beneficiado pelo resultado, e não por regras de governança fixas.

Polarização e o papel do Judiciário

A análise destaca que a polarização política, antes restrita ao período eleitoral, expandiu-se para outros órgãos. O Judiciário passou a ser visto como um ator político ativo, uma vez que atua e se posiciona diretamente no centro das disputas políticas do país.

Essa atuação gera um cenário de desorganização institucional. Segundo o cientista político, o resultado é uma sensação de que não há uma força central capaz de organizar o país, pois o poder está fragmentado entre diversos atores sem liderança clara.

Consequências para as eleições e o governo

A crise de credibilidade do STF também impacta o peso das acusações no cenário eleitoral. Aragão explica que, quando o órgão que atua como acusador perde força perante a sociedade, a validade das acusações que ele apresenta também é questionada.

Como exemplo desse fenômeno, o analista menciona que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro não foi utilizada como ferramenta de campanha pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, justamente devido à perda de força institucional do tribunal.

Além disso, o especialista ressalta que crises generalizadas e percepções de corrupção tendem a atingir com maior intensidade quem detém o poder. A percepção de instabilidade institucional costuma gerar reflexos negativos diretos sobre o governo vigente.

Para evitar o agravamento da situação, Aragão defende a necessidade de um diálogo para a busca de um consenso mínimo. O objetivo seria evitar decisões acaloradas, especialmente em períodos que antecedem o processo eleitoral.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.