Governo anuncia Desenrola 3.0 com investimento de até R$ 15 bilhões para compra de dívidas
Nova fase do programa prevê que o governo compre carteiras de dívidas de pessoas físicas com atraso de até 4,5 anos
Por Redação Diário Local
O governo federal anunciou, nesta sexta-feira (25), o lançamento do Desenrola 3.0, uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas. A medida prevê a destinação de até R$ 15 bilhões para a aquisição de débitos de pessoas físicas inadimplentes.
Diferente das edições anteriores do programa, o novo mecanismo funcionará por meio da compra de carteiras de dívidas, que podem ser de natureza bancária ou não bancária. O público-alvo concentra-se em famílias com débitos em atraso de 2 a 4,5 anos, desde que o valor original da dívida não seja superior a R$ 10 mil.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que o repasse inicial será de R$ 5 bilhões para iniciar as operações. O restante do montante será liberado gradualmente, conforme o ritmo dos leilões e o interesse das instituições financeiras.
Como funcionará o programa?
Para viabilizar o Desenrola 3.0, o governo deve enviar uma proposta de remanejamento de despesas ao projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2027. Segundo o ministro Moretti, a operação será feita dentro das regras vigentes, sem a utilização de crédito extraordinário.
O Ministério da Fazenda realizará leilões ao longo dos anos de 2026, 2027 e 2028. Esses leilões poderão ser organizados em lotes e segmentados de acordo com a natureza da dívida. A operação ficará sob responsabilidade de uma instituição financeira federal ou do próprio Tesouro Nacional.
Os bancos poderão ofertar carteiras nas modalidades de crédito pessoal e cartão de crédito (tanto rotativo quanto parcelado). O governo estima que existam cerca de R$ 300 bilhões em dívidas que se enquadram nos critérios do programa e espera conseguir renegociar cerca de 50% desse valor.
Expectativa de descontos e prazos
A expectativa do Executivo é garantir um desconto (deságio) mínimo de 90% sobre o valor das dívidas, embora o governo trabalhe com a possibilidade de obter abatimentos ainda maiores. O objetivo é que, após a compra das carteiras, a União realize a reestruturação dos débitos para reduzir o valor das prestações.
O primeiro leilão está previsto para ocorrer em novembro. Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, a compra gradual dos R$ 15 bilhões visa diluir o impacto primário da medida nas contas públicas.
A iniciativa surge em um cenário onde, segundo dados do Banco Central, os gastos das famílias com serviços financeiros atingiram cerca de 29% da renda, o maior patamar registrado desde 2006.
