Dívida bruta deve chegar a 124,4% do PIB em 2036 com juro neutro mais alto, aponta IFI
Revisão do juro real neutro eleva projeção da dívida e pode encarecer o financiamento público em até R$ 1,5 trilhão por ano.
Por Redação Diário Local
A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado projeta que a dívida bruta do governo geral deve atingir 124,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2036. O dado consta do 117º Relatório de Acompanhamento Fiscal, divulgado nesta quinta-feira (29).
A nova estimativa representa um aumento de 9,4 pontos percentuais em relação ao cenário anterior, que previa um patamar de 115,0% do PIB. A alteração é reflexo da revisão do juro real neutro, que passou de 5,0% para 6,1% ao ano.
O juro real neutro é a taxa de juros, já descontada a inflação, que não estimula nem freia a atividade econômica. Segundo a IFI, quanto maior esse índice, mais elevado se torna o custo para financiar a dívida pública no longo prazo.
Por que a projeção da dívida aumentou?
A revisão do juro real neutro foi baseada em 25 medidas empíricas obtidas por meio de sete abordagens metodológicas, incluindo modelos econométricos e pesquisas de mercado. Ao considerar o histórico do spread dos títulos públicos sobre a taxa Selic, o custo real de longo prazo da dívida pode chegar a 6,3% ao ano.
Com o novo cenário, a despesa nominal com juros para 2036 deve subir de 8,4% para 10,3% do PIB. Esse movimento representa um impacto financeiro de mais de R$ 1,5 trilhão por ano. Além disso, o resultado primário necessário para estabilizar a dívida precisará subir de 2,1% para 2,9% do PIB.
Outro dado relevante é a probabilidade de a dívida bruta ultrapassar a marca de 90% do PIB até 2030, que passou de 78,9% para 81,6% conforme o relatório técnico.
Riscos no orçamento de 2027
O relatório também sinaliza riscos na estimativa de despesas para 2027, especificamente nas áreas de Previdência e Assistência Social. No caso da Previdência Social, a IFI aponta que o cálculo do governo para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pode não considerar impactos de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão na ADI 6.309, que declarou inconstitucional a idade mínima para aposentadoria especial, teria um impacto estimado de R$ 13 bilhões em 2027. Outros fatores de pressão incluem a taxa de indeferimento de benefícios por incapacidade, que atingiu 54,1%, e o aumento do estoque de benefícios de salário-maternidade.
Na Assistência Social, embora o governo estime economias com revisões cadastrais no Benefício de Prestação Continuada (BPC), a IFI destaca que o número de beneficiários atingiu 6,6 milhões em agosto de 2026, o maior patamar da série histórica. Além disso, a instituição ressalta que 27,3% dos beneficiários com deficiência recebem o auxílio por via judicial.
