Coordenador de campanha do PL admite que não há provas de fraude nas eleições
Rogério Marinho comentou a carta de Flávio Bolsonaro e afirmou que o PL não pode alegar fraude sem evidências.
Por Redação Diário Local
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, admitiu nesta quarta-feira (28) que não existem provas para sustentar as acusações de fraude nas eleições brasileiras feitas pelo aliado Flávio Bolsonaro. A declaração ocorreu durante coletiva de imprensa no Senado Federal, após a divulgação de uma carta de teor golpista assinada pelo candidato, que atualmente reside nos Estados Unidos.
Questionado sobre as alegações de irregularidades no pleito, Marinho afirmou que nem ele, nem o Partido Liberal (PL) podem sustentar tal posição, uma vez que não há evidências que comprovem o crime eleitoral. O senador sugeriu que as declarações feitas por Flávio poderiam ser um desabafo relacionado à sua saída do país, classificando o aliado como um "exilado".
A polêmica gira em torno de um documento publicado por Flávio Bolsonaro na rede social X. Em uma primeira versão do texto, o candidato declarava-se o "verdadeiro presidente eleito do país". Meia hora depois, o conteúdo foi retirado do ar e substituído por uma segunda versão, que alterou o termo para "líder do Brasil".
Para o senador, a mudança de redação pode ter ocorrido devido a um "problema na confecção da carta". Marinho ressaltou que, pelo número de votos obtidos e pelo papel desempenhado nas últimas eleições, Flávio é hoje a maior expressão da direita no Brasil, mas defendeu a necessidade de não haver intervenção estrangeira no processo interno.
Flávio Bolsonaro, que encerra seu mandato de senador no próximo ano, é alvo de investigações que tratam de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Em um dos inquéritos, ele é suspeito de lavar dinheiro por meio de plataformas de apostas (bets). O candidato também é investigado sobre o financiamento de um filme sobre a trajetória de seu pai.
Em comunicado enviado à imprensa, o parlamentar afirmou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos, alegando que correrá riscos que outros parlamentares do PL não poderiam assumir. No entanto, Marinho pontuou que o exercício desse papel em solo brasileiro seria impossível diante dos sinais demonstrados recentemente.
No segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou pouco mais de 59 milhões. As afirmações de fraude feitas pelo candidato, sem a apresentação de provas, contrariam a apuração e o reconhecimento do pleito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O processo eleitoral brasileiro foi reconhecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por diversos líderes internacionais. O próprio PL, partido de Flávio Bolsonaro, também reconheceu a vitória de Lula nas urnas, apesar das recentes declarações do aliado.
