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Economia

Empresas da B3 perdem R$ 963 bilhões em valor de mercado após o segundo turno das eleições

O recuo de 16,94% no valor das empresas listadas ocorre após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e gera incertezas fiscais.

Por Redação Diário Local

As empresas brasileiras listadas na B3 perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado na semana após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (26). O valor consolidado das companhias recuou de R$ 5,684 trilhões, registrado em 23 de outubro, para R$ 4,721 trilhões nesta sexta-feira (30).

A retração de 16,94% no montante total das empresas listadas praticamente eliminou a valorização acumulada pelo mercado acionário brasileiro ao longo de 2026. Entre o encerramento de 2025 e o dia 23 de outubro, o valor de mercado das companhias havia aumentado R$ 972 bilhões, mas o movimento recente neutralizou esse crescimento.

O índice Ibovespa acumulou queda de 18,12% na semana, o que representa a maior baixa desde março de 2020. De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, esta é a quinta maior queda semanal registrada desde o Plano Real. O movimento reflete uma forte reprecificação dos ativos após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com o agravamento das expectativas sobre o cenário fiscal e os juros no Brasil.

Segundo a consultoria, a perda de R$ 963 bilhões em apenas uma semana equivale a 1,31 vez o valor de mercado da Petrobras. Em termos comparativos, a Bolsa brasileira perdeu o equivalente a uma Petrobras inteira somada a mais R$ 229 bilhões em valor de mercado.

Por que o mercado reagiu dessa forma?

O cenário é influenciado também por um ambiente externo de maior aversão ao risco. Lucas Castro, sócio-cofundador e head de renda variável da Lince Investimentos, avalia que o mercado busca um novo ponto de equilíbrio diante da incerteza sobre a condução da política econômica e fiscal a partir do próximo ano.

Castro afirma que o movimento é agravado pelo desmonte de posições de investidores que apostavam em uma vitória da oposição. Isso provoca a saída de recursos e mudanças nas expectativas em relação à trajetória dos juros no país.

Impacto no dólar e variação das ações

O dólar encerrou a semana com ganhos acima de 9%, alcançando a maior cotação registrada em 2026. Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, atribui o tombo do real ao fato de investidores terem se posicionado para a vitória da oposição, na qual estavam depositadas expectativas de um ajuste fiscal robusto a partir de 2027.

Na contramão do movimento geral, apenas três empresas do Ibovespa registraram alta superior a 10%: as exportadoras Suzano, WEG e Embraer. Outras companhias, como TIM, Vale e Gerdau, também fecharam com variações positivas, embora menores.

Já o destaque negativo ficou com empresas que sofreram quedas superiores a 50% apenas nesta semana, como Vamos, Magazine Luiza, Cosan, C&A, Hapvida, Cyrela e MRV. O mês de outubro fechou com queda total de 9,88% para o Ibovespa.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.