Escritórios de assessoria de investimentos crescem fora do eixo São Paulo e Rio de Janeiro
Levantamento mostra que estados como Santa Catarina e Goiás avançaram enquanto Rio de Janeiro registrou queda de escritórios.
Por Redação Diário Local
O número de escritórios de assessoria de investimentos no Brasil tem crescido com maior intensidade em estados fora do eixo tradicional de São Paulo e Rio de Janeiro. Dados de um levantamento realizado por Francisco Amarante, superintendente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), mostram que estados como Santa Catarina e Goiás avançaram significativamente no período entre 2015 e 2026.
A base de dados, que considera registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com corte em 15 de julho, revela que Santa Catarina mais do que dobrou sua quantidade de escritórios, saltando de 33 para 68 unidades. Em Goiás, o avanço foi de 67%, passando de 15 para 25 escritórios no mesmo intervalo.
Em contrapartida, o Rio de Janeiro apresentou uma trajetória negativa. O estado, que é o segundo maior mercado do país, passou de 244 escritórios em 2015 para 199 em 2026, uma queda de 18%. Atualmente, o Rio responde por 14% das unidades ativas no Brasil.
Por que o setor está se expandindo para novas regiões?
A mudança na geografia da indústria financeira acompanha a formação de riqueza em diferentes partes do território nacional. Segundo Amarante, o principal fator para o crescimento em estados como Santa Catarina e Goiás é a proximidade com áreas onde o capital está se consolidando, como o agronegócio, a indústria e novos polos de renda regional.
Outros estados também registraram crescimentos relevantes. No Paraná, o número de escritórios subiu de 64 para 88 (37% de alta), enquanto o Distrito Federal avançou de 22 para 30 (36% de alta).
Apesar da expansão regional, a concentração ainda é alta. São Paulo e Rio de Janeiro somam, juntos, 63,5% dos escritórios de assessoria ativos no Brasil. O estado de São Paulo detém sozinho 49,5% do total nacional.
O caso de Barueri e o impacto dos impostos
A desconcentração também é visível no nível municipal. Em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, o setor triplicou em sete anos, saltando de 16 escritórios em 2019 para 48 em 2026.
Um dos motivos apontados para o crescimento em Barueri é o fator tributário. O Imposto Sobre Serviços (ISS) no município é de 2%, enquanto na capital paulista a alíquota é de 5%. Como a receita das empresas de assessoria provém majoritariamente da prestação de serviços, a diferença de custos atrai as instalações para a cidade.
O bairro de Alphaville, em Barueri, já se consolidou como o quarto maior polo de assessoria do país, com 40 escritórios. No topo do ranking nacional de bairros, o Itaim Bibi (São Paulo) lidera com 55 unidades, seguido pela Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) com 50 e pela Vila Olímpia (São Paulo) com 49.
