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Economia

ETFs de renda fixa crescem e já representam 83% das entradas líquidas entre fundos listados na B3

Produtos que seguem índices de inflação ou juros apresentam volatilidade e tributações distintas conforme o prazo dos títulos.

Por Redação Diário Local

Os ETFs (Exchange Traded Funds) de renda fixa já respondem por 83% das entradas líquidas entre os 202 fundos listados na B3. A categoria, que representa 32% do mercado em quantidade de produtos, tem registrado forte crescimento impulsionado pelos juros elevados e pela simplificação do processo de investimento.

Diferente dos fundos de renda variável, que seguem índices como o Ibovespa, a maioria dos ETFs de renda fixa acompanha papéis atrelados à inflação (IPCA+) ou à taxa básica de juros (Selic). No entanto, as características de ganho, risco e tributação mudam drasticamente conforme o prazo dos ativos dentro de cada fundo.

Como a volatilidade afeta os ganhos?

A duração dos títulos influencia o potencial de oscilação de preço, fenômeno conhecido como marcação a mercado. Fundos que possuem títulos de longo prazo, como os que utilizam o índice IMA-B 5+ ou o recém-lançado NB1011 (com títulos de 10 anos), são muito mais sensíveis às variações das taxas de juros.

Quando os juros caem, o preço desses papéis longos sobe com intensidade, o que pode gerar ganhos maiores do que os fundos de títulos curtos. Por outro lado, se os juros sobem, a desvalorização também é proporcionalmente maior, criando um movimento de "montanha-russa" no saldo do investidor.

Já os ETFs de curto prazo, como o IMA-B 5 (títulos de até cinco anos) ou o NB0211 (títulos de 2 anos), tendem a apresentar movimentos mais estáveis. Esses ativos costumam subir em um ritmo mais constante, sendo menos impactados pelas oscilações bruscas do mercado financeiro.

Para o investidor que planeja utilizar o recurso em poucos meses, a recomendação técnica é priorizar os modelos pós-fixados, atrelados à Selic ou ao CDI. Esses ativos apresentam baixa volatilidade e o ajuste dos juros ocorre diariamente, mantendo o saldo com tendência de subida constante.

O potencial de ganho real depende diretamente do tempo de rendimento dos juros compostos. Em um cenário de queda de juros, ativos com prazo maior podem entregar retornos significativamente superiores, como o caso de um título Tesouro IPCA+ com vencimento em 2050 frente a um de 2032.

Qual é a regra de imposto de renda?

A tributação nos ETFs de renda fixa não segue a tabela regressiva tradicional de CDBs ou do Tesouro Direto. Nos fundos de índice, a alíquota é definida pelo prazo médio de repactuação (PMR) da carteira, e não pelo tempo que o investidor permaneceu com a cota.

O imposto começa em 25% e pode cair até 15% caso o prazo médio de vencimento dos títulos na carteira do ETF seja superior a 720 dias. Esse modelo de cobrança independe de quando a cota foi adquirida pelo cliente.

Contudo, nos fundos compostos integralmente por LFTs (títulos que rendem 100% da Selic), a Receita Federal aplica a alíquota máxima de 25%. Isso ocorre porque o órgão entende que o prazo de repactuação desses papéis é de apenas um dia.

Para tentar alcançar a alíquota de 15%, algumas gestoras utilizam índices híbridos. Esses fundos combinam LFTs com uma pequena parcela de títulos IPCA+ (NTN-Bs) para aumentar o prazo médio da carteira.

Essa estratégia híbrida, entretanto, traz contrapartidas. O retorno pode ficar abaixo de 100% da Selic — em torno de 95% — e a volatilidade da cota aumenta, podendo gerar prejuízos em momentos de alta acentuada dos juros.

Ao escolher um fundo, o investidor deve observar além da taxa de administração. É necessário analisar o índice replicado, o prazo da carteira, o risco de crédito, a liquidez e o enquadramento tributário específico de cada produto.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.