EUA aplicam nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros nesta sexta-feira (24)
Medida do governo americano sobre produtos brasileiros ocorre sob alegação de práticas de trabalho forçado e se soma a taxas já aplicadas.
Por Redação Diário Local
O governo dos Estados Unidos aplicou, nesta sexta-feira (24), uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida baseia-se em uma investigação do Escritório do Representante Especial de Comércio (USTR) sobre supostas práticas de trabalho forçado em diversos setores produtivos.
A nova sobretaxa se soma aos 25% de tarifa que já estavam em vigor para produtos do Brasil desde o último dia 22 de julho. Essa alíquota anterior é fruto de uma investigação aberta em julho de 2025, que apurava se ações do governo brasileiro prejudicavam empresas americanas.
Ao todo, o governo americano investigou 60 economias sob a mesma acusação de negligenciar produtos gerados por trabalhos forçados. Enquanto o Brasil e outros 53 países foram sobretaxados em 12,5%, nações como Canadá, Equador, México e membros da União Europeia receberam propostas de tarifas de 10%.
Quais produtos são afetados pela nova taxa?
A tarifa de 12,5% não atinge todo o catálogo de exportações brasileiras. O foco da investigação do USTR recai sobre cinco categorias específicas: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. A apuração analisa materiais que teriam sido produzidos com práticas trabalhistas questionáveis entre os anos de 2021 e 2025.
Apesar do novo imposto, uma lista de isenções permanece ativa. Mais de 2.100 itens produzidos no Brasil ficaram de fora da sobretaxa, o que inclui carne bovina, suco de laranja, componentes para aeronaves, açaí e água de coco.
Entenda o histórico das tarifas americanas
O Brasil tem enfrentado um ciclo de mudanças nas alíquotas de importação para o mercado americano. O processo inclui uma taxa global de 10% imposta em abril de 2025, baseada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que foi posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos EUA.
Em resposta à decisão judicial, o presidente Donald Trump instituiu uma tarifa básica de 10% amparada pela Seção 122 da Lei de Comércio. Essa medida era temporária e possuía prazo de validade de 150 dias, expirando nesta sexta-feira (24).
O cenário tarifário atual faz parte de uma estratégia para reindustrializar a economia dos Estados Unidos, reaver déficits comerciais e atrair investimentos. Analistas apontam que as investigações sobre trabalho forçado servem como ferramenta para reposicionar as tarifas que haviam sido anuladas pela Justiça americana.
