EUA aplicam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e atingem indústrias de São Paulo e do Sul
Nova taxa americana foca em manufaturados de alta tecnologia e pode afetar máquinas, motores e produtos químicos de SP, SC e RS.
Por Davy Albuquerque
Os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que deve atingir cerca de 31% das exportações destinadas ao mercado norte-americano. O montante afetado é estimado em US$ 11,7 bilhões, de um total de US$ 37,7 bilhões exportados para o país em 2025.
De acordo com análise da Integra Associados, baseada em documentos do governo dos EUA e dados do ComexStat (MDIC), a nova taxação tem foco em produtos manufaturados de maior valor agregado e intensidade tecnológica. Cerca de 54% dos itens afetados pertencem aos segmentos de média-alta e alta tecnologia.
Quais setores serão os mais afetados?
O impacto deve se concentrar na indústria de transformação, setor responsável por 94,1% do valor exportado que ficará sujeito à tarifa adicional. O maior volume financeiro potencialmente atingido é o de máquinas e equipamentos.
Outros segmentos com alta exposição incluem produtos manufaturados de madeira, armamentos, motores e itens químicos. A cobertura da medida é parcialmente limitada pela inclusão de aproximadamente 1.700 produtos em uma lista de exceções.
Como fica a distribuição regional?
A distribuição dos efeitos entre os estados brasileiros deve ser desigual. São Paulo concentra o maior volume de exportações potencialmente afetadas, com cerca de US$ 5,28 bilhões sujeitos à alíquota, o que equivale a 39,8% das exportações paulistas para os EUA.
No estado, os principais itens afetados são máquinas, equipamentos, pneus, motores elétricos e produtos químicos. Santa Catarina e Rio Grande do Sul também apresentam volumes significativos de exposição. Em Santa Catarina, o peso recai sobre motores e manufaturas de madeira; já no Rio Grande do Sul, os destaques são armamentos, calçados e produtos de madeira.
Ao considerar a dependência relativa de cada estado, a análise aponta Santa Catarina, Paraíba, Alagoas e São Paulo como as unidades mais vulneráveis ao novo cenário comercial.
O que permanece isento?
Apesar da nova rodada tarifária, importantes setores exportadores devem permanecer sem a cobrança do imposto. De acordo com o relatório, itens como café, carne bovina, petróleo, celulose e suco de laranja estão incluídos na lista de isentos.
