Fapesp altera regras de bolsas de estágio no exterior e reduz tempo de auxílio para doutorado
Novas normas restringem acesso de alunos de graduação e mestrado ao BEPE e cortam duração de intercâmbio para doutorandos.
Por Redação Diário Local
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) alterou as regras para a concessão da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), estabelecendo novas condições de elegibilidade e duração. As mudanças, instituídas nesta terça-feira (1º), restringem o acesso de estudantes de graduação e mestrado e reduzem o período de permanência de doutorandos em instituições estrangeiras.
Pelas novas normas, alunos de iniciação científica e mestrado não podem mais pleitear o auxílio de forma contínua. O acesso a esse tipo de intercâmbio passará a depender da abertura de editais específicos, organizados de acordo com a data de aprovação da bolsa de pesquisa principal no Brasil.
Para estudantes com bolsas aprovadas até nesta segunda-feira (31), uma chamada será anunciada no fim de setembro de 2026. Já para quem teve bolsas concedidas a partir de 1º de setembro de 2026, a nova oportunidade de inscrição ocorrerá apenas no primeiro semestre de 2027.
O que muda para o doutorado?
A modalidade BEPE segue disponível para doutorandos, doutorado direto e pós-doutorandos por meio de fluxo contínuo. No entanto, o tempo regulamentar de permanência no exterior foi reduzido pela metade: de 12 meses para 6 meses.
A extensão da estadia por mais 6 meses não é automática. Ela dependerá de uma solicitação formal do bolsista e de uma análise de mérito realizada pela fundação, sendo permitida apenas em condições excepcionais e justificadas.
Justificativa da Fapesp
A Fapesp afirmou que os ajustes são estratégicos para preservar o financiamento da pesquisa e a capacidade de investimento de longo prazo. Segundo a entidade, o gasto com bolsas atingiu 58% do orçamento total da fundação em junho de 2026, elevando o risco à saúde financeira da instituição.
A instituição apontou que houve um salto na demanda por bolsas no exterior, que cresceu 52% entre 2023 e 2025. Além disso, a fundação destacou que o aumento da procura decorre de valores considerados competitivos e da redução da participação de agências federais no fomento à pesquisa no estado, como ocorre com a CAPES.
Reação de pesquisadores
A mudança gerou críticas entre membros da comunidade científica e entidades representativas. A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifestou-se contrária, argumentando que o intercâmbio é parte estratégica da formação científica e permite o acesso a novas metodologias e redes de colaboração internacional.
Pesquisadores também relataram dificuldades com o novo cronograma. João Marcelo Alves, doutorando em Física na Universidade Federal do ABC (UFABC), afirmou que a redução do tempo de pesquisa pode impactar colaborações internacionais, como as realizadas com cientistas dos Estados Unidos.
