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Economia

Reforma tributária força empresas a reverem preços, logística e localização de operações

Levantamento da Deloitte mostra que companhias redesenham logística e tecnologia para enfrentar transição de impostos

Por Redação Diário Local

A implementação da reforma tributária está impulsionando uma revisão profunda nas estratégias de negócios no Brasil, afetando desde a formação de preços até a localização de centros de distribuição e investimentos. O movimento exige que departamentos de logística, comercial, finanças e tecnologia trabalhem de forma integrada para lidar com a transição do sistema de tributação do consumo.

Segundo a pesquisa Tax do Amanhã, divulgada pela consultoria Deloitte nesta terça-feira (1), a dimensão da mudança é ampla: 89% das 148 organizações ouvidas já realizaram estudos sobre os impactos da reforma em seus negócios. Além disso, 86% das empresas já possuem algum nível de automação em suas operações fiscais.

A principal preocupação de quase 60% das companhias é a convivência simultânea entre os sistemas de impostos antigo e novo durante o período de transição. Este cenário exige que as organizações respondam a questões operacionais críticas, como a manutenção da competitividade de fornecedores e a necessidade de capital de giro.

Como a reforma afeta os preços e a concorrência?

A formação de preços é um dos pontos onde o consumidor pode notar mudanças mais rápidas. Entre as empresas que analisaram o impacto da reforma, 51% projetam um aumento na carga tributária, 19% esperam que o efeito seja neutro e 16% calculam uma redução. Outros 14% afirmam que os estudos ainda não foram conclusivos.

Existe um risco de aumento artificial de preços caso as empresas adotem cálculos excessivamente conservadores. Em vez de calcular corretamente a transição entre a carga tributária antiga e a nova, algumas companhias podem simplesmente somar a nova alíquota ao preço atual, o que pode gerar pressão inflacionária na ponta final.

Companhias que conseguirem processar com precisão os créditos e débitos da nova tributação podem obter preços mais competitivos. Já aquelas que agirem de forma puramente defensiva, elevando margens para se proteger de incertezas, correm o risco de perder competitividade no mercado.

Quais os impactos na logística e no caixa das empresas?

O fim gradual dos incentivos fiscais pode forçar o redesenho das malhas logísticas. Entre as empresas que recebem benefícios fiscais e avaliaram os efeitos da reforma, 57% consideram alterar sua localização geográfica ou ajustar a cadeia de suprimentos. Outros 27% pretendem manter a localização, mas mudar o desenho da cadeia, e 12% consideram alterar ambos os fatores.

Outro ponto de atenção é o impacto no capital de giro. Com a substituição do PIS e da Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), as empresas poderão usar saldos credores dos tributos antigos para compensar os novos. No entanto, há temor de que a demora na autorização desses créditos obrigue as firmas a utilizar recursos próprios para o pagamento de novos impostos.

Essa necessidade financeira imediata pode ocorrer justamente em períodos de juros elevados e após o pagamento do 13º salário. Dependendo da velocidade da compensação de créditos, o desequilíbrio financeiro entre o momento do pagamento e o da recuperação dos valores pode afetar as operações nos primeiros meses de 2027.

O papel da tecnologia no novo cenário

Para mitigar esses riscos, o investimento em tecnologia tornou-se prioridade. A pesquisa indica que 72% das empresas aumentaram seus investimentos tecnológicos em comparação ao ano anterior, e 77% pretendiam expandir esses gastos ao longo de 2026.

A automação também avança na área fiscal: 36% das organizações já utilizam inteligência artificial (IA) ou IA generativa para gerir processos tributários. O foco vai além de novos softwares, envolvendo a integração de sistemas de gestão (ERP) para garantir a precisão necessária na nova era tributária.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.