Fusões e aquisições no setor de consumo caem 51% no primeiro semestre de 2026
Levantamento da KPMG aponta redução no número de transações, influenciada por juros altos e incertezas eleitorais.
Por Redação Diário Local
O número de fusões e aquisições no setor de consumo registrou uma queda de 51% no primeiro semestre de 2026. De acordo com levantamento da KPMG, foram realizadas 48 transações no período, contra 98 operações no mesmo intervalo do ano anterior.
Embora a redução no número de negócios seja expressiva, o volume financeiro das transações não apresentou o mesmo declínio. No primeiro semestre de 2026, o montante movimentado alcançou cerca de R$ 2,4 bilhões, superando os aproximadamente R$ 2,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025, quando foi desconsiderada uma operação extraordinária.
A comparação direta de valores foi influenciada pela fusão entre a BRF e a Marfrig, ocorrida no ano passado. Essa transação sozinha representou cerca de R$ 16,7 bilhões dos R$ 17,6 bilhões movimentados pelo setor no segundo trimestre de 2025.
Por que o número de negócios caiu?
A retração no volume de transações é atribuída a um conjunto de fatores macroeconômicos e políticos. A combinação de juros elevados, restrição de crédito e a pressão sobre o consumo das famílias tem gerado cautela tanto em compradores quanto em vendedores.
O cenário de incertezas relacionadas ao ciclo eleitoral também contribui para a postura de espera no mercado. Investidores e empresas tendem a adiar decisões estratégicas até que haja maior clareza sobre o ambiente de negócios nos próximos anos.
Além disso, o setor de consumo, que depende diretamente dos gastos da população, é afetado pela baixa renda discricionária das famílias. Com grande parte da renda comprometida, a expectativa de um aumento no consumo é limitada, o que impacta o apetite por novos investimentos.
Menos interesse de fundos de investimento
O ambiente de juros altos também reduziu a atuação de fundos de private equity e de venture capital (capital de risco). Das 48 operações realizadas no semestre, apenas 13 envolveram esse tipo de investidor.
Para os fundos, o custo do capital elevado dificulta a justificativa para investimentos de risco, já que o retorno esperado precisa ser muito alto para superar os patamares dos juros vigentes.
Entre as operações confirmadas no setor de consumo este ano, destacam-se a venda da operação brasileira da General Mills para a 3corações, por cerca de R$ 800 milhões, e a aquisição da Casa de Bolos pela AB Mauri Food, por aproximadamente R$ 200 milhões. Outro negócio registrado foi a compra de uma fábrica do Grupo Patense pela Gomes da Costa, por R$ 135 milhões.
