Fiesp critica governo e diz que tarifa de 25% dos EUA poderia ter sido evitada
Federação afirma que desalinhamento diplomático com Washington minou vínculos e prejudicou a competitividade brasileira.
Por Davy Albuquerque
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou, nesta quarta-feira (15), a atuação diplomática do governo brasileiro e afirmou que a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderia ter sido evitada.
Em nota, a entidade argumentou que o desalinhamento político com Washington e a opção por ruídos diplomáticos e críticas personalistas minaram vínculos de cooperação bilateral construídos ao longo de mais de 200 anos. A Fiesp afirmou que a decisão prejudica a competitividade do país ao atingir o Brasil de forma unilateral.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a sobretaxa de 25% sobre produtos exportados para o mercado norte-americano nesta quarta-feira (15). A medida, no entanto, não inclui os setores de carne e café.
O que diz a Fiesp sobre os custos para as empresas?
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou que o mercado dos Estados Unidos é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Para ele, a nova taxa funciona como um "pedágio" adicional para as empresas nacionais.
Skaf ressaltou que o setor produtivo já convive com uma carga tributária elevada e com algumas das taxas de juros reais mais altas do mundo. A federação afirmou que buscará trabalhar com parceiros nos EUA para tentar reverter ou mitigar as tarifas por meio de isenções.
Como funciona a investigação comercial dos EUA?
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir uma investigação contra o Brasil. O governo norte-americano apresentou a medida como resposta a práticas comerciais que classifica como injustas.
O documento da investigação lista como alvos temas como o Pix, o comércio digital, proteção à propriedade intelectual e o acesso ao mercado de etanol. Segundo o USTR, o Brasil adota políticas públicas que colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em desvantagem.
Durante audiências públicas realizadas em julho, a Embaixada do Brasil em Washington esteve presente apenas como observadora. O governo brasileiro optou por não enviar representantes para discursar no evento.
