EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação sobre práticas desleais
Decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos pode impactar 4 mil produtos e gerar perda de US$ 14,9 bilhões em exportações.
Por Davy Albuquerque
Os Estados Unidos confirmaram, nesta quarta-feira (15/7), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida encerra uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas desleais que prejudicam a indústria e os exportadores norte-americanos.
A decisão foi encaminhada para o aval da Casa Branca e marca o fim de um rito que incluiu audiências com empresários e membros da sociedade civil. A medida busca, segundo o governo de Donald Trump, equilibrar a balança comercial entre as duas nações.
A investigação fundamenta-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O documento oficial questiona a atuação brasileira em temas como comércio digital, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e o combate ao desmatamento ilegal.
O USTR também direcionou críticas ao Banco Central do Brasil e ao sistema de pagamentos Pix. Segundo o órgão americano, o sistema de pagamentos eletrônicos brasileiros cria vantagens competitivas para o país em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.
No campo das exportações, o impacto pode ser severo para a indústria nacional. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4 mil produtos podem ser afetados pela nova alíquota, com um prejuízo estimado em US$ 14,9 bilhões para o comércio brasileiro com os Estados Unidos.
O Palácio do Planalto já aguardava o anúncio oficial para entender o alcance da medida e as possíveis isenções. Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos carecem de base técnica e possuem viés político, especialmente pelo engajamento da Casa Branca com políticos da oposição no Brasil.
Risco de sobretaxa acumulada
O cenário para o setor produtivo brasileiro pode se agravar com uma segunda investigação em curso nos Estados Unidos. Este processo trata de apurações sobre exploração de trabalho forçado e pode resultar na aplicação de uma taxa adicional de 12,5%.
Caso as duas investigações sejam concluídas com a aplicação das taxas, setores da indústria brasileira poderão enfrentar uma sobretaxa acumulada de até 37,5%. O governo norte-americano também sugeriu à Casa Branca uma atualização na lista de isenções para produtos que não serão atingidos pela alíquota de 25%.
