EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, diz governo americano
Decisão de Donald Trump atinge série de mercadorias, mas café e carnes serão isentos da nova alíquota adicional.
Por Davy Albuquerque
O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta quarta-feira (15), a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A decisão foi tomada pelo presidente Donald Trump após acatar recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
A medida é fruto de uma investigação conduzida pelo órgão norte-americano para tratar o que classifica como práticas de comércio desleais. A lista detalhada dos produtos que sofrerão a taxação deve ser publicada ainda nesta noite.
Segundo a autoridade do USTR, temas como comércio digital, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, desmatamento ilegal e o setor de etanol geram insegurança jurídica e competição desleal para empresas dos Estados Unidos. O órgão afirmou que a ação visa eliminar as práticas desleais investigadas.
A imposição das tarifas utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Nesse contexto, o governo americano avaliou que o sistema de pagamentos Pix funciona como um "campeão nacional" que promove condições desleais de competição no comércio eletrônico.
Os Estados Unidos também manifestaram interesse em participar de regimes tarifários preferenciais semelhantes aos concedidos pelo Brasil a países como México e Índia. Sobre o desmatamento, embora reconheçam a legislação brasileira, a autoridade indicou que a aplicação das leis tem falhado.
Isenções e possíveis negociações
Apesar do novo imposto, um alto funcionário do governo dos Estados Unidos adiantou que os setores de café e de carnes estarão isentos da cobrança. Ambos os produtos possuem grande relevância na balança comercial entre os dois países.
A autoridade americana ressaltou que a porta para negociações está aberta, mas afirmou que as ações podem ser revistas caso haja uma retaliação por parte do governo brasileiro. A nova alíquota de 25% surge após uma investigação que se desenvolve desde julho de 2025, quando Trump anunciou uma tarifa inicial de 50% contra o Brasil.
Reação do governo brasileiro
No Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que avalia como provável uma retomada no processo da Lei de Reciprocidade caso a medida se confirme. O ministro explicou que a tramitação do processo havia sido suspensa seguindo a lei do Congresso Nacional, mas deve ser retomada após consulta ao presidente Lula.
Apesar da tensão comercial, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avalia que o impacto das novas tarifas sobre as exportações brasileiras deve ser reduzido. A análise foi detalhada no boletim macrofiscal divulgado nesta quinta-feira.
