Adaptação climática pode custar US$ 1,2 trilhão por ano até 2050, aponta estudo
Pesquisa indica que 60% das medidas de proteção contra o clima global enfrentam barreiras de implementação e financiamento
Por Redação Diário Local
A adaptação climática global pode exigir investimentos de US$ 1,2 trilhão anualmente até 2050 para proteger comunidades e infraestruturas. De acordo com uma pesquisa do McKinsey Global Institute, embora existam soluções como sistemas de resfriamento e defesas contra enchentes, cerca de 60% das necessidades de adaptação enfrentam barreiras para serem efetivamente implementadas.
O estudo aponta que o valor econômico das medidas de proteção é alto, gerando benefícios em perdas evitadas que chegam a ser três vezes superiores ao custo do investimento. No entanto, a transição desse potencial econômico para a prática esbarra em dificuldades de financiamento e execução.
Em um cenário de aquecimento de 2°C, as projeções indicam que cerca de US$ 460 bilhões (40% do total necessário) estariam prontos para implantação, concentrados principalmente em locais de alta renda com maior capacidade de pagamento. O restante, que compõe a maior parte das necessidades, sofre com falta de incentivos e recursos.
Quais são as barreiras para a adaptação?
A pesquisa identifica três desafios principais que impedem o avanço das medidas de proteção: acessibilidade, disposição política e capacidade de agir, e barreiras de financiamento (bancabilidade).
A acessibilidade é apontada como a maior barreira, afetando medidas que custam cerca de US$ 440 bilhões por ano. Em regiões de baixa renda, a adaptação climática precisa competir com necessidades básicas como alimentação e moradia. Na Índia e na África Subsaariana, os custos de adaptação podem representar entre 2% e 3% do PIB, mas menos de 20% do investimento necessário está pronto para ser aplicado.
Em contraste, em regiões de alta renda, os custos seriam de apenas 0,3% a 0,5% do PIB, com mais da metade das soluções prontas para uso.
Desafios de política e financiamento
Um segundo conjunto de barreiras, que afeta US$ 210 bilhões anuais, envolve a disposição ou capacidade de agir. Isso ocorre quando proprietários de terras ou instituições veem os custos de medidas que beneficiam a coletividade como desproporcionais, ou quando projetos de grande escala exigem coordenação complexa entre governos e empresas.
Por fim, os US$ 40 bilhões restantes enfrentam entraves de financiamento. Projetos que focam na prevenção de perdas, em vez de gerar receita direta, encontram maior dificuldade para atrair capital privado, exigindo novos modelos de parceria para se tornarem viáveis.
