Bancários realizam paralisação de 24 horas e agências ficam fechadas nesta quinta-feira (20)
Paralisação nacional de 24 horas ocorre devido ao impasse nas negociações salariais; Procon-SP alerta para prazos de boletos.
Por Redação Diário Local
Os bancários realizam uma paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira (20). O movimento é motivado pelo impasse nas negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2026, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Os trabalhadores reivindicam um aumento real de 5% sobre os salários, além da reposição da inflação, melhorias nos benefícios e a valorização da participação nos lucros e resultados (PLR). Os pontos de conflito incluem a proposta de reajuste em três faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso.
Em nota, a Fenaban informou que as negociações seguem o cronograma estabelecido e que espera alcançar um entendimento entre as partes. Uma nova rodada de conversas entre os representantes da categoria e as instituições financeiras está marcada para a próxima segunda-feira (24).
Como ficam o pagamento de contas e boletos?
A greve não suspende a obrigatoriedade de pagar as contas dentro do prazo de vencimento. Segundo o Procon-SP, o consumidor deve ficar atento às datas para evitar a cobrança de multas e juros decorrentes do atraso.
O órgão orienta que, quando disponíveis, os pagamentos sejam realizados por meio dos sites ou aplicativos dos bancos. Também é possível recorrer a redes de supermercados e casas lotéricas para o pagamento de boletos de água, luz, gás e telefone.
O especialista em direito bancário Fernando Canutto ressalta que, embora a paralisação não afaste o dever de pagamento, o banco não pode transferir ao cliente o prejuízo por falhas na prestação do serviço. Segundo ele, se houver atendimento presencial, o Banco Central estabelece que as instituições não podem dificultar o serviço usando o argumento de que existem canais eletrônicos.
Com a digitalização, se o consumidor tiver acesso a aplicativos, Pix ou caixas eletrônicos e deixar de pagar, a alegação de greve dificilmente será aceita para afastar juros. Por outro lado, se ficar provado que a tentativa de pagamento foi impossibilitada por falha do banco, o cliente pode contestar os encargos.
A recomendação para proteger o direito do consumidor é guardar provas da tentativa. Isso inclui prints de aplicativos fora do ar, mensagens de erro, protocolos telefônicos e até fotografias de agências fechadas.
Saques e depósitos podem ser feitos?
Sim. De acordo com o Procon-SP, operações de depósito e saque podem ser realizadas normalmente por meio de caixas eletrônicos. O órgão alerta, porém, para que o correntista evite o auxílio de terceiros ao utilizar os terminais, já que a guarda de senhas e cartões é de responsabilidade do cliente.
Sobre a natureza do movimento, o advogado Jorge Soares explica que a paralisação se enquadra juridicamente como greve, independentemente do nome dado. Para que seja considerada regular, a mobilização precisa seguir requisitos legais, como a aprovação em assembleia e a comunicação prévia aos empregadores.
Como a compensação bancária é classificada como atividade essencial, a legislação exige cuidados específicos. Nesse caso, os sindicatos e empregadores devem garantir a manutenção de serviços indispensáveis para atender necessidades inadiáveis da população.
O advogado ressalta ainda que a greve deve respeitar a liberdade de quem decide não aderir ao movimento. Não são permitidos atos de coação, impedimento de acesso ao trabalho ou danos ao patrimônio durante a mobilização.
Quanto às reivindicações, Soares esclarece que os bancos não são obrigados a aceitar os termos propostos pelos trabalhadores. Reajustes e benefícios são temas de negociação coletiva, e as partes podem recorrer a mecanismos de mediação ou arbitragem caso não cheguem a um consenso.
