Ibovespa fecha em queda de 0,46% com aversão ao risco global e tensão no Oriente Médio
Aversão ao risco global e preocupações com o fluxo de petróleo pressionaram os ativos, apesar da alta de empresas como Petrobras e Vale.
Por Redação Diário Local
O Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (23) em queda de 0,46%, aos 176.723,62 pontos. O desempenho foi influenciado pelo cenário de aversão ao risco que dominou os ativos globais, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas sobre o fluxo de petróleo.
O preço do petróleo Brent retornou ao patamar de US$ 100, impulsionado por ameaças de punição e possíveis ataques envolvendo os Estados Unidos, o Irã e os houthis do Iêmen. O movimento reforçou preocupações sobre a possível interrupção do transporte de óleo nos Estreitos do Golfo Pérsico, o que elevou o temor de inflação e de aperto monetário mundial.
A expectativa de juros mais altos impactou a curva de juros local, com taxas subindo cerca de 20 pontos-base no trecho intermediário. Esse cenário afetou ações de setores cíclicos, como varejo e incorporadoras imobiliárias, além de provocar a realização de lucros em bancos que haviam avançado anteriormente.
O que movimentou as ações no dia?
As perdas de bancos e de empresas de consumo prevaleceram sobre os ganhos de exportadoras e empresas de petróleo. No setor financeiro, o Itaú Unibanco PN recuou 0,79% e o Bradesco PN caiu 1,32%.
Entre as maiores quedas do índice estiveram a Hapvida (-8,08%), Totvs (-6,37%), Assaí (-4,52%) e MRV (-4,27%).
Em contrapartida, o setor de commodities ofereceu blindagem ao índice. A Petrobras ON subiu 1,67% e a Vale ON avançou 0,77%. Outras empresas favorecidas pela alta do dólar e do petróleo foram a Vibra (+1,77%), Braskem PNA (+1,65%), Prio ON (+1,29%) e Brava ON (+1,03%).
Cenário global e riscos de energia
A volatilidade nos mercados financeiros também foi alimentada por resultados de balanços no setor de tecnologia, como os da Alphabet e Tesla, que levantaram dúvidas sobre os níveis de gastos com inteligência artificial. Nas bolsas de Nova York, o Dow Jones fechou em baixa de 0,97%, enquanto o Nasdaq caiu 2,15% e o S&P 500 recuou 1,21%.
De acordo com o economista Jonas Goltermann, da Capital Economics, a alta nos preços de energia pode pressionar os mercados de forma ampla. Ele destaca que o conflito no Oriente Médio pode aumentar a turbulência se continuar a escalar.
O especialista aponta que o mercado é dinâmico e pode encontrar rotas alternativas para o fornecimento de petróleo, o que poderia reduzir a volatilidade ao longo do tempo.
