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Economia

Ibovespa cai 13,88% após reeleição de Lula e investidores avaliam oportunidades na bolsa

Queda na bolsa brasileira foi a maior desde março de 2020; especialistas alertam que preço baixo não garante que ação está barata.

Por Redação Diário Local

O Ibovespa recuou 13,88%, aos 176.608 pontos, nesta segunda-feira (26), registrando a maior queda diária desde março de 2020. O índice sofreu forte pressão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, levantando incertezas no mercado financeiro sobre a condução da política econômica e o controle dos gastos públicos.

Com o recuo, a bolsa brasileira perdeu R$ 734 bilhões em valor de mercado, de acordo com levantamento da Elos Ayta. O montante perdido no dia equivale a quase todo o valor de mercado da Petrobras, que é estimado em R$ 746 bilhões.

A reação do mercado refletiu a mudança de expectativas de parte dos investidores. Segundo a Vault Research, a queda foi impulsionada pela reversão das apostas em uma transição para um governo de centro-direita, movimento que havia injetado cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21,5 bilhões) na bolsa apenas em outubro.

Apesar da retração, analistas alertam que a queda nos preços não significa que todas as ações estejam baratas. Para a CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, os investidores apenas passaram a aceitar preços menores diante dos riscos percebidos em um cenário de incerteza.

Para avaliar se um papel se tornou uma oportunidade de compra, é necessário comparar o preço de mercado com a capacidade da empresa de gerar resultados. Se a expectativa de lucro diminuir ou o custo para financiar as atividades aumentar, o papel pode não ser atrativo, mesmo com o preço reduzido.

A Vault Research pontua ainda que a situação fiscal do país, a inflação e a saúde financeira das empresas são fatores de risco. Mesmo com o tombo, o Ibovespa ainda opera cerca de 9% acima do nível registrado no início do ano.

Quais setores são recomendados no cenário atual?

Diante da volatilidade, o BTG Pactual recomenda cautela e prioriza empresas que possuam receitas em moeda estrangeira ou menores níveis de endividamento. Setores como commodities metálicas, petróleo, gás e agronegócio podem ser favorecidos por um real mais fraco.

Entre as exportadoras citadas pelo banco estão Gerdau, Suzano, Vale, PRIO, SLC Agrícola, 3Tentos, São Martinho, WEG e Embraer. O banco também destaca as chamadas "ações defensivas", que costumam resistir melhor a períodos de juros altos.

Nesse grupo de defensivas, aparecem seguradoras como Caixa Seguridade e Porto Seguro, além da fabricante de bebidas Ambev. O banco também menciona a Petrobras, pela sua exposição ao petróleo e distribuição de dividendos, e o Itaú Unibanco, considerado preparado para adversidades econômicas.

Quais são os principais riscos para a bolsa?

O cenário de juros elevados é um dos pontos de atenção, pois encarece novos empréstimos e dificulta o pagamento de dívidas existentes. Dados da Serasa Experian indicam que, em agosto de 2026, o Brasil contava com 9,3 milhões de empresas inadimplentes e R$ 244,4 bilhões em dívidas negativadas.

No campo político, o Goldman Sachs afirma que a situação fiscal será o principal fator de avaliação do risco brasileiro. Alberto Ramos, chefe de pesquisa para a América Latina do banco, destaca que o mercado observará a escolha do ministro da Fazenda e o plano para equilibrar as contas públicas.

A composição do Congresso Nacional também impõe desafios à articulação do governo. O Partido Liberal (PL) detém a maior bancação na Câmara, com 121 deputados, e possui 29 senadores, o que pode dificultar a aprovação de medidas econômicas.

Para o Goldman Sachs, o capital político do presidente Lula pode ser limitado pelos desafios de governabilidade e pela força do bloco de oposição conservadora no Legislativo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.