Isover encerra produção de lã de vidro em fábrica de São Paulo após 75 anos de atividade
Produção de lã de vidro em Santo Amaro foi interrompida; unidade passará por desmobilização até 2028 e funcionará como centro de distribuição.
Por Redação Diário Local
A marca Isover, especializada em materiais de isolamento térmico e acústico e pertencente ao grupo Saint-Gobain, encerrou a produção de lã de vidro em sua única fábrica brasileira. A unidade estava localizada no bairro de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, e operava no país desde 1951.
A interrupção das atividades industriais ocorreu em 4 de julho. A partir de agora, o abastecimento do mercado nacional passará a ser feito por meio de importações provenientes de fábricas da companhia situadas no exterior.
Apesar do fim da fabricação local, a empresa pretende manter sua presença comercial no Brasil. Parte da estrutura existente em São Paulo será utilizada para o armazenamento e a distribuição de mercadorias importadas.
Por que a fábrica foi encerrada?
O encerramento das atividades foi precedido por anos de reclamações de moradores das proximidades da unidade em Santo Amaro. Relatos incluíam problemas com fumaça, odores, fuligem e ruídos gerados pelo funcionamento da fábrica.
A situação resultou na atuação do Ministério Público de São Paulo e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Entre os anos de 2023 e 2025, a Cetesb registrou irregularidades na operação, incluindo emissões atmosféricas e odores.
Em dezembro de 2025, a Isover firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e a Cetesb. O acordo previa um cronograma para a desativação progressiva da estrutura industrial, prazo que foi cumprido com a paralisação ocorrida em julho de 2026.
Impacto na produção e no trabalho
Os materiais produzidos na unidade, como mantas, painéis, feltros e tubos isolantes, são utilizados na construção civil e em aplicações industriais para isolamento térmico e acústico. Com a mudança, a cadeia de abastecimento passa a depender da rede internacional da marca, que conta com cerca de 60 unidades em 28 países.
A decisão também afeta a estrutura de trabalho ligada à unidade. Antes da paralisação, cerca de 150 trabalhadores participavam da operação, sendo 100 funcionários diretos e 50 profissionais em atividades indiretas.
A empresa informou que o processo de encerramento da fabricação foi conduzido conforme a legislação. Como a unidade passará a ter funções logísticas, nem todas as funções existentes deverão ser eliminadas.
Próximos passos da unidade
O complexo industrial passará por um processo de desmobilização que inclui a retirada de equipamentos e a desmontagem de estruturas. As atividades de desativação e gestão de resíduos estão previstas para ocorrer até 2028.
Enquanto a desmontagem ocorre, áreas do local poderão ser adaptadas para as novas operações de distribuição. O grupo Saint-Gobain, proprietário da Isover, informou que mantém outras operações industriais e comerciais no Brasil, não sendo o fechamento desta fábrica um sinal de saída do país.
