Ibovespa cai 1,52% com impacto de novas tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil
Principal índice da Bolsa brasileira registrou queda de 1,52% devido ao anúncio de novas sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros.
Por Redação Diário Local
O principal índice da Bolsa brasileira (B3), o Ibovespa, fechou em queda de 1,52%, aos 174 mil pontos, nesta sexta-feira (24). O desempenho foi influenciado pela pressão do mercado após o anúncio de um novo pacote de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
As novas medidas preveem sobretaxas de até 12,5%, que entraram em vigor nesta sexta-feira (24). Este novo encargo soma-se à taxa de 25% aplicada a partir de 22 de julho, o que pode elevar a carga tarifária sobre alguns produtos brasileiros para até 37,5%.
A sobretaxa de 12,5% foi aplicada sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado no Brasil. Já a cobrança de 25% baseou-se na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974, que permite ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) investigar políticas estrangeiras que possam prejudicar interesses comerciais americanos.
Por que o petróleo recuou nesta sexta-feira?
O preço do petróleo registrou queda nesta sexta-feira (24), após forte valorização na quinta-feira (23). O barril do tipo Brent, referência internacional, recuou 3,88%, cotado a US$ 96,78. O West Texas Intermediate (WTI) caiu 3,12%, fechando a US$ 89,31 por barril.
A redução nos preços foi impulsionada por informações sobre uma nova proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos. A medida ajudou a amenizar a tensão entre os investidores provocada pelas novas tarifas comerciais.
Na quinta-feira (23), o preço do petróleo Brent havia superado os US$ 100 por barril, devido ao temor de interrupções nas rotas de exportação no Oriente Médio. O cenário era agravado por ataques do grupo armado houthis, do Iêmen, contra petroleiros sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.
O que esperar sobre os juros nos Estados Unidos?
O mercado monitora a próxima reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, que discute a taxa de juros atualmente fixada entre 3,50% e 3,75%. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indica que as chances de um aumento de 0,25 ponto percentual, elevando o patamar para o intervalo de 3,75% a 4,00%, são de 55,4%.
Existe ainda uma possibilidade de 24,7% para uma elevação de 0,50 ponto percentual, o que colocaria os juros entre 4,00% e 4,25%. O cenário de economia aquecada nos EUA foi reforçado pelo índice de gerentes de compras (PMI) da S&P Global, que subiu para 53,6 pontos em julho, o maior nível em oito meses.
Enquanto o Ibovespa recuou com quedas generalizadas, o dólar registrou leve queda de 0,06%, operando a R$ 5,08. Nas bolsas europeias, os principais índices fecharam em alta, com o FTSE 100 de Londres subindo 0,91% e o DAX de Frankfurt avançando 1,33%.
