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Economia

57% das indústrias estimam queda na margem líquida nos próximos três meses

Levantamento da CNI aponta pressão no capital de giro e redução na intenção de buscar crédito bancário e reajustar preços.

Por Redação Diário Local

Cerca de 57% das indústrias brasileiras estimam uma queda na margem líquida nos próximos três meses, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O cenário é resultado da pressão causada pelo encarecimento do crédito e pela necessidade de maior capital de giro para manter as operações.

A divulgação dos dados ocorreu nesta terça-feira (15), por meio da Consulta Empresarial de agosto. O levantamento ouviu 179 empresas de 28 setores produtivos, distribuídas em 21 estados, durante o período de 18 a 28 de agosto.

Por que a necessidade de capital de giro aumentou?

Segundo a CNI, a demanda por financiamento cresce em três frentes principais do fluxo de caixa industrial. No setor de contas a pagar (fornecedores), 56% das empresas preveem um aumento ou aumento forte na necessidade de recursos, enquanto apenas 8% esperam redução.

Na gestão de estoques, 50% das indústrias estimam que precisarão de mais financiamento. Já no intervalo entre a entrega do produto e o recebimento (contas a receber), 49% das empresas preveem que precisarão de mais capital para cobrir o período.

Esse movimento é acompanhado pela expectativa de taxas mais elevadas. No caso de estoques, 49% das empresas esperam juros mais altos. No setor de contas a receber, 46% preveem juros elevados para o desconto de recebíveis, e 42% das empresas que dependem de prazos com fornecedores estimam juros maiores nessas operações.

Por que as indústrias estão evitando os bancos?

Apesar da necessidade de caixa, a intenção de recorrer ao crédito bancário tradicional vem recuando. A proporção de empresas que planejam aumentar o saldo de dívida bancária caiu de 45% em junho para 32% em agosto, uma redução de 13 pontos percentuais em dois meses.

O recuo é atribuído ao alto custo do crédito. Além disso, a capacidade de reajustar os preços de venda para compensar os custos diminuiu. A intenção de aumentar preços caiu de 51% em junho para 35% em agosto, com a maioria das empresas (53%) optando por manter os valores inalterados.

Essa dificuldade de repasse decorre da concorrência com produtos importados e da baixa demanda interna. Como consequência, o impacto recai sobre o balanço final: além dos 57% que preveem queda na margem líquida, 19% das indústrias projetam ganho e 25% esperam manutenção dos resultados.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.