IPCA de junho vem abaixo do esperado e derruba taxas de títulos no Tesouro Direto
Resultado da inflação em junho reforça aposta do mercado em novo corte da taxa Selic pelo Banco Central na reunião de agosto.
Por Diário Local
As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto abriram em queda nesta sexta-feira (10) após o IPCA de junho subir 0,16%, índice que ficou abaixo dos 0,31% esperados pelo mercado. O resultado da inflação reforçou no mercado a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, tenha espaço para realizar um novo corte da taxa Selic na reunião de agosto.
A Selic está atualmente em 14,25% ao ano. O recuo das taxas foi mais intenso nos papéis prefixados. O Tesouro Prefixado 2029, que encerrou a quinta-feira (9) com taxa de 14,23% ao ano, iniciou o pregão desta sexta operando a 14,04%, uma redução de 0,19 ponto percentual.
Outros títulos prefixados também registraram queda: o Tesouro Prefixado 2032 passou de 14,47% para 14,34%, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 recuou de 14,48% para 14,38%.
O que acontece com os títulos IPCA+?
Entre os títulos indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 apresentou a maior queda, passando de 8,19% para 8,09%. O juro real do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caiu de 7,90% para 7,83%.
Já o título Tesouro IPCA+ com juros semestrais de vencimento em 2060 teve o juro real reduzido de 7,42% para 7,36%. Os demais vencimentos da categoria registraram quedas entre 0,05 e 0,06 ponto percentual.
Expectativa de corte na Selic
O movimento no mercado reflete a leitura de que o resultado de junho favorece o ciclo de afrouxamento monetário. Segundo a Mirae Asset, a curva de juros passou a precificar uma probabilidade de 90% para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, contra 68% registrados na quarta-feira.
Para a instituição, embora a inflação siga acima da meta do Banco Central, a combinação de um índice abaixo do esperado e a melhora dos núcleos sustenta a chance de novo corte, desde que o cenário prospectivo da inflação continue favorável.
Gabriel Pestana, economista da Genial Investimentos, avalia que o IPCA de junho é uma boa notícia para a política monetária. Para o economista, os dados recentes, somados ao arrefecimento da atividade e do mercado de trabalho, abrem espaço para o Banco Central dar continuidade aos cortes em agosto.
Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, vê o número como um alívio que reduz a pressão sobre a curva de juros, mas ressalta que o dado não altera sozinho o diagnóstico da inflação no país. Ele destaca que o Banco Central deve manter cautela enquanto a inflação acumulada em 12 meses, de 4,64% até junho, estiver distante da meta.
