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Renda Fixa

Juros reais acima de 8% impulsionam busca por títulos atrelados à inflação na renda fixa

Investidores buscam taxas atreladas à inflação em CDBs, LCIs, LCAs e crédito privado para aproveitar o cenário de juros altos

Por Diário Local

O juro real acima de 8% ao ano transformou os títulos atrelados ao IPCA na principal escolha da renda fixa em 2026. O movimento, iniciado com as NTN-Bs, atingiu também papéis bancários e o setor de crédito privado, abrindo um leque de opções para o investidor pessoa física.

Além dos títulos públicos, o mercado oferece remuneração atrelada à inflação por meio de CDBs, LCIs, LCAs, debêntures incentivadas, CRIs, CRAs e fundos de crédito privado. Contudo, especialistas ponderam que a mudança no cenário exige atenção redobrada ao risco de cada produto.

Quais são as opções de CDBs e letras de crédito?

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é visto como um substituto natural aos títulos públicos, com a vantagem de contar com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para valores até R$ 250 mil por CPF. Em junho, os CDBs de 36 meses apresentaram média de IPCA + 8,34% ao ano, com picos de IPCA + 9%.

Já as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) oferecem a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mantendo também a proteção do FGC. Em junho, as LCAs registraram média de IPCA + 6,08%, com a taxa máxima atingindo 6,58%.

A escolha entre esses ativos depende do horizonte de investimento. Enquanto os títulos isentos podem ser vantajosos em prazos curtos, os CDBs tributados podem apresentar melhor desempenho em prazos longos devido ao efeito dos juros compostos sobre uma taxa bruta maior.

O que observar no crédito privado?

Para quem busca retornos maiores e tolera mais riscos, existem as debêntures incentivadas, os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio). Estes ativos são isentos de Imposto de Renda, mas não possuem a cobertura do FGC.

As debêntures incentivadas têm se destacado por oferecerem prêmios atrativos sobre os títulos públicos, especialmente em setores de infraestrutura. Em alguns casos, o rendimento pode equivaler a um papel tributado pagando cerca de IPCA + 10%.

No setor de agronegócio, observa-se uma redução nas emissões de CRAs. Dados da Anbima Data mostram que, entre janeiro e maio, as emissões representaram 6,6% do volume total de securitização, contra 19% registrados no mesmo período de 2025.

Onde estão os riscos do investimento?

O aumento das taxas pode atrair investidores para empresas com maior risco de crédito. Setores como o de varejo, especialmente companhias alavancadas, e o de aviação, devido ao descompasso de moedas, são apontados como pontos de atenção.

Em contrapartida, setores geradores de caixa, como energia, utilities (serviços públicos) e exportadoras, são vistos como emissores de menor risco. Especialistas reforçam que não deve haver concentração em poucos emissores e que o prazo do título deve estar alinhado aos objetivos do investidor, dado que muitos desses ativos não possuem liquidez diária.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.