Inmetro desenvolve método para identificar espécie de madeira por composição química
Método inovador permite diferenciar espécies de árvores por moléculas orgânicas e ajuda a combater o comércio ilegal.
Por Redação Diário Local
O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) desenvolveu um método capaz de identificar a espécie de madeira por meio de sua composição química. A técnica utiliza uma "assinatura" de moléculas orgânicas para diferenciar árvores, o que pode auxiliar a fiscalização no combate ao comércio ilegal de produtos florestais.
O estudo foi realizado pelo Laboratório de Análise Orgânica do Inmetro, em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro. A pesquisa, publicada em março de 2026 na revista científica ACS Omega, utiliza a espectrometria de massas para ler conjuntos de substâncias que funcionam como uma impressão digital de cada espécie.
A necessidade da tecnologia surge devido às dificuldades encontradas por agentes de fiscalização em rodovias e postos. Muitas vezes, quando a madeira já foi serrada ou processada, ela perde características visuais — como folhas, flores ou frutos — que permitem a identificação botânica imediata. Essa limitação técnica abre espaço para fraudes, como a divergência entre a espécie declarada nos documentos e a carga efetivamente transportada.
O Brasil possui sistemas para controlar a origem da madeira, como o Documento de Origem Florestal (DOF) e o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor). No entanto, a verificação física do material continua sendo um desafio para as autoridades.
Em outubro de 2026 (domingo), uma fiscalização no Maranhão identificou irregularidades em uma carga de aproximadamente 100 m³, com diferenças entre a quantidade informada e o material transportado, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Outros casos de apreensão ocorreram em agosto de 2025, com a Polícia Rodoviária Federal, e em junho de 2026, no Pará.
Como funciona o método de identificação?
O modelo testado analisou amostras de mogno, cedro, andiroba e jatobá, espécies de grande importância comercial. Durante a validação, o método alcançou cerca de 95% de acerto e chegou a 100% de precisão em testes cegos com quatro espécies analisadas.
O mogno e o cedro, por exemplo, estão sujeitos ao controle do comércio por meio da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites). A identificação química permite conferir se o que está sendo transportado condiz com a documentação ambiental apresentada.
Quais são os próximos passos da tecnologia?
No momento, o trabalho funciona como uma prova de conceito. O próximo desafio dos pesquisadores é ampliar a biblioteca de consulta com novos exemplares para aumentar a precisão em diversas origens geográficas e espécies.
A tecnologia estudada permite a análise em apenas um minuto por amostra e exige preparação mínima do material. Além disso, o custo para o desenvolvimento de equipamentos baseados nessa técnica pode ser cerca de 80% menor do que o das plataformas de alta resolução utilizadas atualmente em laboratórios de grande porte.
O objetivo é que o equipamento possa ser utilizado de forma mais próxima ao local da fiscalização, como em portos, aeroportos, bases policiais ou laboratórios móveis. Segundo o Ministério da Justiça, o combate ao comércio ilegal de madeira é fundamental, pois a atividade pode compartilhar logística com outros crimes na Amazônia, como o garimpo e o tráfico de fauna.
