Governo do Japão finaliza plano para impulsionar investimentos em setores estratégicos
Plano aprovado pelo gabinete busca canalizar recursos para áreas estratégicas, mas mercado teme interferência na política monetária.
Por Redação Diário Local
O governo do Japão aprovou, nesta terça-feira (21), seu primeiro plano econômico com o objetivo de estimular investimentos em setores estratégicos de crescimento. O documento busca combater a tendência de subinvestimento no país por meio da união de recursos públicos e privados.
O plano detalha que o Japão pretende trabalhar em conjunto com o setor privado para direcionar capital para áreas cruciais. A projeção é que o volume de investimentos combinados ultrapasse 370 trilhões de ienes (US$ 2,28 trilhões) até o ano fiscal de 2040.
O que diz o plano econômico?
O projeto finalizado pelo gabinete busca equilibrar o estímulo ao crescimento com a busca pela sustentabilidade fiscal. Segundo o texto, a administração pretende tomar a iniciativa para investir em áreas estratégicas, tentando reverter o cenário de estagnação de investimentos no país.
O documento também aborda a relação com o Banco do Japão. Após revisões na redação para tentar acalmar os mercados, o plano agora inclui uma nota de rodapé que faz referência à lei de proteção à independência do banco central na definição da política monetária.
A redação oficial do projeto afirma que, para garantir uma economia forte, é essencial que a política monetária seja conduzida de maneira adequada para assegurar aumentos estáveis nos preços. A legislação japonesa exige coordenação entre o governo e o banco central, mas garante a autonomia da instituição.
Reação do mercado financeiro
A aprovação do plano ocorre em meio ao aumento dos rendimentos dos títulos públicos japoneses. O mercado manifesta preocupação de que as políticas de gastos do governo possam pressionar o Banco do Japão a evitar a elevação das taxas de juros, visando conter o custo do financiamento da dívida nacional.
Em resposta às oscilações de mercado, o governo realizou ajustes no texto. Uma versão preliminar que defendia uma política monetária para estimular a demanda privada foi retirada, e outra versão que vinculava a política monetária diretamente aos esforços de crescimento também foi revisada para maior clareza sobre a função do banco central.
Nesta terça-feira (21), o rendimento do título de referência do governo japonês (JGB) de 10 anos estava em 2,73%, após ter atingido a máxima de 2,9% em 9 de julho. O foco em gastos elevados e taxas de juros baixas tem sido o principal ponto de atenção para os analistas que acompanham as finanças do país.
