Banco do Japão eleva taxa de juros para 1,25%, o nível mais alto em 31 anos
Decisão do Banco do Japão busca conter a inflação e fortalecer o iene diante de cenário de preços em alta e iene fraco.
Por Redação Diário Local
O Banco do Japão elevou sua taxa de juros básica de 1% para 1,25% nesta sexta-feira (18), atingindo o patamar mais alto em 31 anos. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, leva os juros para o maior nível registrado desde 1995.
O movimento faz parte de um ciclo de normalização monetária que teve início em 2024. Naquele ano, a autoridade monetária do país encerrou o período de taxas de juros negativas, que estavam fixadas em -0,1%, e vem promovendo aumentos sucessivos na taxa básica desde então.
A medida busca enfrentar um cenário de iene persistentemente fraco, a escalada de preços e a diminuição da força de trabalho no país. A alta dos juros é uma estratégia para aumentar a atratividade de ativos denominados em iene e conter as pressões inflacionárias internas.
A decisão japonesa ocorre em um contexto de restrição monetária global. Na quarta-feira (16), o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, também subiu sua taxa de referência, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) realizou um aumento de taxas no início deste mês.
A pressão inflacionária no mundo tem como pano de fundo o encarecimento do petróleo e do gás. O cenário é reflexo da guerra no Irã, que causou interrupções nas rotas de transporte marítimo através do estreito de Ormuz, uma via estratégica para o comércio de energia.
O Japão apresenta uma vulnerabilidade especial a esse cenário de instabilidade no Oriente Médio, uma vez que o país depende fortemente da importação de energia da região para manter seu funcionamento econômico.
Antes do anúncio oficial do Banco do Japão, dados divulgados nesta sexta-feira (18) indicaram uma leve redução na inflação de agosto. De acordo com estatísticas oficiais japonesas, a inflação núcleo recuou para 1,7%, ante o índice de 1,8% registrado no mês anterior.
Apesar da leve queda, o valor da inflação no país permanece próximo à meta de 2% estabelecida pelo Banco do Japão para o controle da economia.
