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Economia

Justiça de São Paulo homologa plano de recuperação extrajudicial da Raízen

Decisão de São Paulo valida reestruturação de R$ 65,14 bilhões em créditos financeiros após adesão de 81,6% dos credores.

Por Redação Diário Local

A Justiça de São Paulo homologou, nesta quinta-feira (30), o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Raízen. A decisão chancela a reestruturação de R$ 65,14 bilhões em créditos financeiros quirografários.

A sentença foi proferida pela juíza Larissa Gaspar Tunala, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Com a homologação, os termos do acordo passam a vincular todos os credores abrangidos pela proposta, inclusive aqueles que não aderiram formalmente à negociação.

A proposta original havia sido apresentada à Justiça em 10 de março de 2026, contando com o apoio de 47% dos credores. Durante o processo, o plano obteve a adesão de 81,6% dos créditos sujeitos, ultrapassando o quórum necessário estabelecido pela Lei de Falências e Recuperação de Empresas.

Por que a Raízen buscou a recuperação?

A empresa atribuiu a crise que motivou a busca pela recuperação extrajudicial a uma combinação de fatores econômicos e climáticos. Entre os motivos citados estão a manutenção da taxa básica de juros acima de 12% ao ano, a deterioração da economia na Argentina e a queda nos preços das commodities.

Além disso, adversidades climáticas na safra de cana-de-açúcar contribuíram para o cenário de instabilidade. O resultado foi um prejuízo acumulado de R$ 18,4 bilhões na Safra 2025/2026, uma redução de R$ 7,2 bilhões em caixa e uma alavancagem de 5,3 vezes.

O grupo também enfrentou o rebaixamento de ratings por agências internacionais e o enquadramento de suas ações na B3 como penny stock.

Quais obrigações foram preservadas?

O plano de recuperação foi desenhado para se restringir estritamente aos créditos financeiros. Dessa forma, as obrigações operacionais com clientes, fornecedores, revendedores e parceiros comerciais foram integralmente preservadas.

Em relação ao valor total atribuído à causa, que é de R$ 98,63 bilhões, o montante de R$ 33,49 bilhões refere-se a compromissos entre empresas do próprio Grupo Raízen. Esses valores foram subordinados aos credores externos, o que significa que o pagamento dessas obrigações intercompany só ocorrerá após a quitação total das dívidas reestruturadas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.