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Economia

Magalu e Americanas sobem na B3 após Casas Bahia pedir recuperação judicial

Ações de varejistas avançam com expectativa de ganho de mercado e queda nos juros futuros após movimentação da Casas Bahia.

Por Redação Diário Local

As ações das varejistas Magazine Luiza e Americanas apresentaram alta nesta segunda-feira (17) na B3. O movimento ocorre em meio ao pedido de recuperação judicial da Casas Bahia e à queda nas taxas de juros futuros após a divulgação do IBC-Br de junho abaixo do esperado.

A Casas Bahia comunicou, no fim da noite do último domingo (16), o pedido de recuperação judicial para lidar com passivos de R$ 17,3 bilhões. A empresa citou o ambiente macroeconômico desafiador, os juros altos e a restrição de crédito como fatores que pressionam o consumo e o capital de giro.

Antes de anunciar o processo, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e anunciou o fechamento de quase 300 lojas.

Por que as ações dos concorrentes subiram?

A valorização de empresas como Magazine Luiza e Americanas é interpretada por analistas como uma possível transferência de demanda. Com a reestruturação financeira e a redução de operações da Casas Bahia, concorrentes com estruturas mais estáveis podem ganhar participação de mercado em setores de bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos.

Segundo o banco JPMorgan, a reestruturação da rival tende a melhorar o posicionamento competitivo do Magazine Luiza, especialmente no canal físico, já que as duas empresas possuem escala semelhante nessas categorias. O analista Gabriel Uarian, da Cultura Capital, reforça que a limitação da capacidade de competir da Casas Bahia no curto e médio prazo abre espaço para rivais com menos pressão financeira.

Por outro lado, o movimento não é visto por todos como uma melhora estrutural do setor de varejo. Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, afirma que a alta reflete mais a saída de um concorrente relevante do que uma mudança nos fundamentos do mercado, já que os problemas de juros e consumo atingem todos os players.

Quais são os riscos para o setor?

Apesar do cenário de ganho de mercado para alguns, há riscos operacionais. Empresas em recuperação judicial costumam acelerar a liquidação de estoques para gerar caixa, o que pode forçar uma queda de preços e pressionar as margens de lucro dos concorrentes, especialmente em períodos como a Black Friday e o Natal.

Além do fator concorrência, o setor é sensível à movimentação dos juros. A queda nas taxas futuras, após o IBC-Br (indicador prévia do PIB) vir abaixo do esperado, traz um alívio para empresas dependentes de crédito, como são os casos de Magazine Luiza e Americanas.

No caso específico do Magazine Luiza, analistas do JPMorgan lembram que a companhia possui cerca de R$ 2,2 bilhões em dívidas com vencimento entre 2026 e 2027, o que mantém a atenção sobre sua alavancagem. Já para a Americanas, o Head jurídico da MA7 Capital, Bruno Araujo, observa que o processo da Casas Bahia não tem o mesmo peso que o caso de fraude contábil da Americanas em 2023, pois o atual movimento segue o rito legal previsto.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.